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Comida de gato para controle populacional de sapos

Austrália usa formigas atraídas por ração para gatos para exterminar sapos usados para exterminar insetos de canaviais. Mais um capítulo na série de notórias experiências australianas no controle biológico de população de espécies.
Comida de gato: amada por gatos e outras criaturas

Quem assistiu o filme Distrito 9 deve se lembrar da curiosa preferência dos alienígenas por comida de gato. Coincidência ou não, a ração para felinos está sendo cogitada pela Universidade de Sidney para o controle populacional de sapos.
Pesquisadores descobriram que, ao colocar ração de gato próximo a lagos, ela atrai formigas que, por sua vez, devoram filhotes dos batráquios quando estes emergem da água.

Acontece que os sapos são espécies exóticas, e foram trazidas do Havaí em 1935 em uma tentativa de controlar os insetos dos canaviais. O problemas é que eles acabaram se reproduzindo demais e agora ameaçam espécies australianas.

Os cientistas devem saber o que estão fazendo já que não é de hoje que o controle biológico é tentado na Austrália para conter a superpopulação de espécies animais e vegetais. E alguns resultados podem ser considerados verdadeiros desastres ambientais.

É célebre o caso dos 12 pares de coelhos introduzidos no continente em 1859 para acabar com as ervas daninhas que infestavam algumas localidades.

Os coelhos, originários da Espanha e Ilhas do Mediterrâneo Ocidental, foram levados da Inglaterra para a Austrália e devido a abundância de alimentos e a ausência de predadores naturais capazes de controlar o número crescente dos intrusos, proliferaram explosivamente, acabaram com as ervas daninhas e também com as pastagens do gado, grande fonte de riqueza australiana.

Aparentemente inofensivos, em pouco tempo eles tornaram-se o maior flagelo desse continente, colonizando 2/3 da Austrália, configurando um desastre tanto do ponto de vista científico quanto no plano econômico.

Para se ter idéia do potencial de crescimento exponencial da espécie basta observar que uma fêmea pode gerar, em média, oito ninhadas de seis filhotes por ano. Só entre 1945 e 1949 foram exportados da Austrália 428 milhões de peles de coelhos.



Além disso, os mamíferos locais, na sua maioria, marsupiais (parentes de cangurus, coalas) eram incapazes de competir com a espécie invasora. Em especial os herbívoros, sofreram uma queda na sua população em devido a essa competição. O que mostra a complexidade das consequências de um desequilíbrio ambiental.

Dentre as inúmeras tentativas de resolver o problema vale a pena citar a construção de barreiras sob forma de grades que procurava impedir a progressão do coelho para o norte do continente somando milhares de quilômetros de comprimento.

Então resolveram levar da França a "Raposa-da-Europa", predador natural do coelho no Velho Mundo. Infelizmente, na Austrália, este carnívoro mudou de dieta preferindo os (adivinhe!) marsupiais, até então desconhecidos, muito mais dóceis. Ou seja, mais um desequilíbrio ambiental.

Houve várias tentativas de contenção e eliminação de coelhos testadas: batidas organizadas de caçadores, uso de fumaça, gases tóxicos e, sobretudo, envenenamento com iscas misturadas com arsênico e estriquinina que contribuíram para a morte de muitos (isso mesmo, você acertou) marsupiais atraídos por essas iscas.

Até que em 1950 surgiu a idéia de se espalhar um vírus que afetava os coelhos domésticos do Brasil causando a mixomatose (Vírus sanarelli). Um vírus específico, sem perigo para o homem, que aqui existe em estado endêmico nos coelhos do gênero Sylvilagus que já estão imunizados naturalmente.

Esta virose assumiu enormes proporções, calcula-se que matou 4/5 dos coelhos da Austrália. A população restante acha-se atualmente em equilíbrio, sendo mantida dentro de uma densidade considerada tolerável em relação aos recursos da região.

Como resultado, algumas regiões que na época se encontravam virtualmente desérticas, cobriram-se de vegetação e, nos anos de 1952 e 1953, o aumento da produção agrícola foi avaliado em 50 milhões de libras.

Só estou esperando para ver como essa ração de gato e essas formigas vão desgraçar a vida dos pobres dos masurpiais. Dessa vez ficou difícil de adivinhar.

É claro que desequilíbrios ecológicos provocados pelo homem ocorreram em várias regiões do globo, o caso australiano é apenas um bem descrito onde se pode isolar alguns fatores o que facilitaria sua observação.

Houve casos como o da criação de abelhas africanizadas cujo objetivo era aumentar a produção de mel. A nova raça escapou para o ambiente natural e foi se espalhando pelas Américas e já se encontra nos EUA, onde já provocou mortes.

É claro que eles estão mais preocupados com a infestação de mexicanos e brasileiros (como os do subgênero Governator Valadaraes).



Na Inglaterra já estão eliminando essa praga à tiros. Mas eles não se constragem ao enviar uma praga para se alastrar na América do Sul, especialmente na região das Malvinas: a subespécie Falklandios Petrolivorus.

Se a Argentina não se cuidar essa espécie invasora vai infestar o litoral platino muito em breve.
Fonte:
Equilíbrio Ecológico - Simplificação dos ecossistemas - Textos - Germano Schüür
Rabbits in Australia - Wikipedia
Controle Biológico - Portal São Francisco



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