Filme:O Preço do Amanhã é uma fábula do capitalismo no apogeu da tecnologia

O Preço do Amanhã (In Time) pode parecer um filme futurista, mas o conceito de que quem tem mais riqueza vive mais (e melhor) é tão antigo quanto a própria humanidade.

Estrelado por Justin Timberlake

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Neutrinos transmitem mensagem pela primeira vez

Neutrinos são capazes de atravessar rochas, montanhas e planetas. Mas ainda é cedo para empolgação. A velocidade de transmissão é ainda muito baixa.




Imagine uma partícula cuja massa seja tão desprezível que é capaz de atravessar um cubo de chumbo com 1 ano-luz de comprimento e não se chocar com um único átomo sequer.

Assim é o neutrino, que causou furor recentemente ao se alentar a possibilidade de que ele pudesse ser mais rápido do que a luz. Mas agora ele volta novamente para o centro das atenções científicas ao se anunciar a primeira transmissão de uma mensagem usando essas partículas.


Pesquisadores da Universidade de Rochester e North Carolina State University transmitiram uma mensagem através de 240 metros (780 pés) de rocha, utilizando um feixe de neutrinos pela primeira vez.

Usando neutrinos, seria possível a comunicação entre quaisquer dois pontos na Terra sem o uso de satélites ou cabos. Os sistemas de comunicação Neutrino seriam muito mais complicados do que os sistemas atuais, mas podem ter importantes usos estratégicos.
Dan Stancil, professor de engenharia elétrica e informática em North Carolina State University

Ou seja, na prática é como se você pudesse enviar uma mensagem para o Japão do Brasil apontando o transmissor para o chão.

Neutrinos são partículas eletricamente neutras (daí o nome), quase sem massa produzidos em reações nucleares. Por sua natureza eles são pouco afetados até mesmo pela força da gravidade. Ao contrário das ondas eletromagnéticas, responsáveis pelas transmissões de rádio, TV, celulares etc, o neutrinos não sem detém com obstáculos como sólidos e água.

Poderia ser a solução para o problema de interrupção de comunicação de espaçonaves que estiverem do lado oculto da lua, por exemplo. Ou para transmissão e recepção de mensagens de submarinos e sondas.

Parece animador, porém um obstáculo para o uso prático da técnica é a velocidade de transmissão: 0,1 bps (bits por segundo).

Ou seja, levou mais de duas horas para que a palavra "neutrino" (sim, foi essa a primeira mensagem enviada) fosse enviada do transmissor Numi, parte do sistema de acelerador de partículas do Fermilab, para o receptor de 170 toneladas MINErVA, funcionando como "antena".

Claro, a nossa tecnologia atual exige grandes quantidades de equipamentos de alta tecnologia para se comunicar uma mensagem usando neutrinos, e isso não é prático agora. Mas o primeiro passo para um dia usar neutrinos para a comunicação em uma aplicação prática é uma demonstração usando a tecnologia de hoje.
Kevin McFarland. Professor de física da Universidade de Rochester envolvido no projeto

Para a transmissão do experimento foi necessário codificar a mensagem de forma binária, assim transmitir neutrinos significava 1, e não transmitir neutrinos significava 0.

Ainda que o feixe de transmissão dispare trilhões de neutrinos de cada vez, o detector só raramente conseguia detectá-los.

No experimento, a palavra neutrino consistia de 25 pulsos, separados entre eles por um período sem transmissão de 2 segundos. Isso foi repetido 3.500 vezes ao longo de 142 minutos.

Em média, a "antena" detectou 0,81 neutrino a cada pulso, com uma taxa de erro de 1% - apenas 1 em cada 10 bilhões de neutrinos foi detectado.

Fonte:
Nature, The State Column, Inovação Tecnológica
[Via BBA]
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O pior pesadelo de um orador do TED

Que tal você estar de frente a uma plateia qualificada com pouquíssimo tempo para defender suas ideia e, de repente, as coisas começarem a dar errado.
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Vídeo Kony 2012 é o maior viral da história

Campanha que pretende prender e acabar com o reinado de terror de guerrilheiro africano mobiliza milhões. Consegue obter apoio militar e até da ONU. Mas divide opiniões sobre o fenômeno do ativismo digital.





Kony, o comedor de criancinhas, em foto de 1995 [Vanity Fair]. Campanha datada?



O mais novo fenômeno de popularidade da web é um vídeo que foi visto mais de 100 milhões de vezes em apenas 6 dias (o segundo lugar, que mostrava a cantora "patinha feia", Susan Boyle, levou três dias a mais para atingir a mesma visibilidade).



Kit básico da campanha
O vídeo "Kony 2012" mostra os horrores de Joseph Kony, líder do grupo rebelde Lord’s Resistance Army (LRA), de Uganda, responsável pelo sequestro de 30 mil crianças. Abusando sexualmente das meninas e recrutando os meninos para as fileiras, além de desfigurar os que tentavam fugir ou se opor. A ideia é que o vídeo sirva para tirar senhor da guerra ugandense do anonimato, o que dificultaria sua fuga, já que há anos ele encabeça a lista dos mais procurados pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). A Invisible Children, ONG por trás da campanha, certamente conseguiu seu intento. Já que o próprio presidente Obama mandou enviar uma tropa de 100 soldados para a África, a fim de apoiar os países africanos a capturarem o guerrilheiro, esperando com isso que seu grupo entre em colapso por falta de seu líder.

Estas forças agirão como assessoras de forças amigas, que têm por objetivo eliminar do palco de batalha Joseph Kony e outros líderes do LRA.
Barack Obama. Presidente dos EUA

Em carta ao Congresso americano, Obama afirmou que o objetivo principal dos soldados seria dar informações e orientações para 'forças de nações parceiras'.

O problema levantado pelos críticos é que o vídeo trata a questão de maneira muito superficial e maniqueísta. Segundo o colunista Roger Cohen, do The New York Times (traduzido para o Estadão), o LRA já estaria em declínio há anos, seus membros provavelmente são contados em centenas em vez das dezenas de milhares mencionadas no vídeo. Kony e seu bando minguante operam sobretudo em outros países, entre os quais a República Democrática do Congo, e a cidade um dia aterrorizada de Gulu, no norte de Uganda, já estaria suficientemente pacificada para atrair até investimentos.

O fenômeno Kony 2012 em números. Rápido no gatilho...

Mas para Jason Russell, co-fundador da ONG, e que narra o filme com a bem aproveitada ajuda de seu filho de 5 anos, a solução se resume a mandar soldados americanos para o país africano, mantendo os que já estão lá.

Para muitos críticos, o vídeo serviria para estimular uma nova forma de colonialismo e militarização da região em uma luta antiga - afinal, o LRA, já existe desde a década de 1980.

A maioria das pessoas estão bravas. Eles dizem que é um pouco tarde. Kony não está em Uganda mais, e é agora que os EUA decidem fazer algo a respeito. Muitos especulam se seria por causa do petróleo descoberto na região, então os americanos decidiram se preocupar porque poderiam se beneficiar. Para ser honesta, é uma porcaria.
Barbara Aino. Jornalista ugandense em entrevista ao G1

Outros são ainda mais contundentes.

As ONGs são os novos conduítes do imperialismo americano, que se escondem sob as cortinas da caridade para sustentar objetivos econômicos sinistros e ocultos. Essas ONGs arrecadam uma grande quantidade de dinheiro dizendo que estão trabalhando pelos desafortunados, especialmente aqui na África, nos países mais pobres da América Latina e no Caribe.Paul Watuwa Timbiti. Jornalista Ugandense

Outros lembram que os EUA cometeram atrocidades até piores, não poupando de críticas nem mesmo o TED:

"De Sachs a Kristof, do Crianças Invisíveis ao TED, a indústria de maior crescimento nos EUA é o Complexo Industrial de Salvadores Brancos"; "O salvador branco apoia as políticas brutais da manhã, funda instituições de caridade da tarde, e recebe prêmios da noite"; "Fervorosos se preocupam com esse terrível guerrilheiro africano. Mas cerca de 1,5 milhão de iraquianos morreram em uma guerra americana por opção. Se preocupem com isso."
Teju Cole. Premiado escritor americano-nigeriano em seu perfil no Twitter

Mas como um vídeo se torna viral? Por que esse? Por que agora? Essa capacidade de mobilização, e que dá resultado, é que vem deixando os especialistas e jornalistas encafifados, tentando decifrar o fenômeno.

É como tuitou Evgeny Morozov, autor de The Net Delusion (A ilusão da internet, em tradução livre):

Devemos prestar atenção ao LRA porque Invisible Children é mais eficaz em usar a mídia social que o Exército Livre da Síria?

Paródia na web:
Falso 2012. 6 milhões de dólares.
Sugado por um vídeo de 30 minutos.
Ou seja, talvez se a oposição Exército Livre da Síria ou o Conselho Nacional Sírio fossem mais habilidosos ao usar o Twitter, o Facebook, o YouTube (fazendo vídeos de qualidade como do Kony 2012, ao invés de vídeos não confirmados, tremidos e embaçados de celulares enquanto morteiros estão pipocando e jornalista são mortos, a dita é dura) ou o badalado Pinterest, as Bombas da OTAN já estaria sobre a cabeça de Assad. Imagem hoje é TUDO.

Apesar disso, Os políticos americanos estão muito sensíveis à pressão da opinião pública, já que estão em plena campanha pela sucessão presidencial, e não estão pesando muito questões como respeito à soberania ou prioridade de ações (atualmente, a questão Síria é provavelmente muito mais urgente do que a problemática africana).

Ainda assim, o forte apelo emotivo conquistou corações que estão a apenas um clique de compartilharem a mensagem, criando a onda viral. De qualquer forma a ONU elogiou a campanha dando seu apoio institucional.

É um problema do qual muitas pessoas eram conscientes, agora muitas outras se inteiraram, o que é positivo.
Martin Nesirky. Porta-voz da ONU.

Mas um pouco mais de lucidez pode vir da própria banca social digital. Como essa pérola nacional antiviral do YouTube.



O LRA não é um poder militar. Enfrentar o problema chamado LRA não clama por uma operação militar. E ainda, o LRA é apontado como razão pela qual deve haver uma mobilização militar constante, primeiro no norte de Uganda, e agora em toda a região. [...] Mais do que a razão para a mobilização militar acelerada na região, o LRA é a desculpa para ela.
Prof. Mahmood Mamdani. Pesquisador do Instituto Makererede de pesquisa social em Uganda e professor de Antropologia da Universidade de Columbia (EUA)

O professor Mamdani também ressalta que o Exército de Uganda também foi responsável por uma campanha de execuções e barbáries ao combater os rebeldes, o que é omitido no vídeo.

As mais de 70 milhões de pessoas que viram o vídeo precisam perceber que o LRA - tanto seus líderes quanto as crianças a seu serviço - não são uma força alienígena, mas filhos e filhas de sua terra. A solução não é eliminá-los fisicamente, mas achar formas de integrá-los à sociedade.

Isso sem mencionar nas suspeitas de como estaria sendo gasto os milhões em dinheiro arrecadados com a campanha (estaria sendo gasto mais dinheiro para aumentar a campanha do que para ajudar os africanos, por exemplo). Além de ter sido levantado que cristãos de extrema direita estariam por trás da ONG Invisible Children (Isso já está me cheirando a bushismo, pode olhar que tem um republicano da Texaco com um fuzil na mão atrás da cortina).

Em vista da rapidez com que foi posto na parede e obrigado a apertar apertou o gatilho da máquina de guerra norte-americana, até que o ultra-conectado Obama foi comedido ao enviar cem homens para Uganda. Agora a exploração do petróleo de lá deve estar supergarantida.

Pior para os interesses brasileiros, pois um dos que mais perdem com esse tipo de ação é o próprio Brasil do pré-sal.

Afinal, anos de negociações sul-sul podem ter sido atropeladas pelo susto que a chegada de militares americanos estarão dando no seio da mama África.

Ou alguém acredita que agora há alguma chance da Petrobrás ganhar qualquer contrato para fazer exploração no território ugandense?

Fonte:
Vídeo de ONG para combater guerrilheiro de Uganda irrita africanos - G1
StopKony agora! - Estadão
'Kony 2012' chega a 100 milhões de views e é vídeo mais viralizado da história - IDGNow
Kony 2012 é o vídeo "mais viral" de todos os tempos. Mas quem é Kony? - Gizmodo
Kony 2012: conheça as polêmicas que giram em torno do viral - Olhar Digital

[Via BBA]
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ECAD suspende cobrança de blogueiros

A repercussão da notícia da cobrança chegou até à revista americana "Forbes". O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD) tentou cobrar direitos autorais sobre as músicas executadas em blogs através de vídeos do YouTube incorporados nas páginas. Mas recuou dizendo que foi tudo não passou de um "erro operacional".


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Volvo tem airbag até para quem é atropelado

Novo V40 possui sensores que detectam pedestres e que, em caso de atropelamento, fazem inflar o airbag externo para proteger principalmente a cabeça de quem é atropelado.

Considerado a marca de carro mais segura do mundo, a Volvo apresentou semana passada o novo dispositivo que equipa o V40, revelado no Salão Automóvel de Genebra.

Quando um pedestre é atingido ao longo do pára-choques dianteiro, a almofada de ar é ativada na parte inferior do pára-brisas e levanta o bordo traseiro da tampa do capô para criar espaço livre adicional no compartimento do motor.
Representante da Volvo para o MailOnline

Ele funciona através de uma série de sofisticados sensores instalados no pára-choque dianteiro que detectam as colisões no próprio pára-choque.

O airbag ajuda a proteger o pedestre, principalmente a cabeça, ao bater no capô e na parte inferior do pára-brisas e na parte inferior dos pilares A.



O carro também possui um sistema de detecção de pedestres que normalmente só é visto em marcas mais caras.

Se um pedestre surge na frente do veículo um aviso é emitido para o motorista e os freios acionados, caso não haja nenhuma ação por parte do condutor. O sistema de detecção consiste em um radar montado na grade frontal do automóvel e uma câmera montada na frente do espelho retrovisor. A tarefa do radar é detectar um pedestre ou veículo na frente do carro e determinar a distância até ele. A câmara identifica o tipo de objeto.

Em todo o mundo, os pedestres representam uma grande proporção dos usuários de estradas que são atingidos mortalmente, especialmente na em países em desenvolvimento e de baixa renda, assim o desenvolvimento de sistemas que oferecem melhor proteção para eles e que pode ser incluídos no design de veículos é uma prioridade global para a segurança veicular.
Duncan Vernon, gerente de segurança rodoviária para a Inglaterra na Sociedade Real para a Prevenção de Acidentes

Acredito que as pessoas em geral não vão querer para mais caro para proteger a eventualidade de proteger a vida do próximo. Ao menos que já tenha acontecido algo assim com alguém da família (ou atropelado alguém ou vítima de atropelamento). Em regra, as pessoas não conseguem se colocar no lugar das outras tão facilmente, mesmo tendo condição para bancar isso (é por isso que salvar o planeta é tão difícil). Todavia, ao ter um dispositivo desse no carro, o motorista estará maximizando sua segurança e evitando problemas (causar uma morte no trânsito é um trauma mesmo estando completamente com a razão).

Então, só temos que saudar a iniciativa da Volvo e esperar que, caso ocorra a infelicidade de sermos vítimas de atropelamento, o carro seja um desses (e aguardar que esse dispositivo seja incorporado a todos os veículos um dia).

Fonte: DailyMail
[Via BBA]
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Modelo mentais: O que pensamos que sabemos

Jonathan Drori mostra porque muitos engenheiros não conseguem acender uma lâmpada dispondo de uma bateria, um fio e a própria lâmpada.



Vou tentar explicar por que, talvez, não entendamos tanto quanto pensamos. Vou começar com 4 perguntas, e não se trata de uma referência britânica. Aliás, isso foi uma piada interna. Na verdade, essas 4 perguntas são consideradas difíceis até por quem entende de ciência. Já as fiz a produtores de programas de TV sobre ciências, ao público de licenciatura em ciências, ou seja, professores, e a crianças de 7 anos. Notei que as crianças se saíram um pouco melhor que os demais, o que é surpreendente.



A primeira pergunta, e talvez queiram tomar nota em uma folha de papel real ou em um papel virtual, na sua cabeça, e o mesmo para quem está vendo em casa.

Uma sementinha não pesa quase nada e uma árvore pesa muito, certo? Todos concordam. De onde a árvore tira o material que resulta nesta cadeira?

De onde vem tudo isto? (Batidas)

A próxima pergunta: é possível acender uma lâmpada pequena com uma pilha, uma lâmpada e um pedaço de fio?

Saberiam desenhar - não precisam desenhar - um diagrama? Saberiam desenhá-lo se fosse preciso, ou diriam que não é possível?

A terceira pergunta:

Por que o verão é mais quente que o inverno? Acho que concordamos que o verão é mais quente que o inverno, mas por quê?

Finalmente, vocês saberiam -- e podem fazer um esboço -- rascunhar um diagrama do sistema solar, com o formato das órbitas planetárias? Saberiam fazer isso? Se souberem, façam um desenho.

Certo. As crianças tiram essas ideias não dos professores, como eles gostam de pensar, mas do senso comum, de sua experiência do mundo, de tudo o que acontece entre elas e os amigos, responsáveis, pais, e todas essas experiências. Um grande especialista na área, como sabem, é o ótimo Cardeal Wolsey.

Cuidado com o que põe na cabeça de alguém, pois depois é muito difícil de reverter.

Certo? (Risos) Aliás, não sei como ele morreu. Foi decapitado ou enforcado? (Risos) Certo. Vocês anotaram as respostas, estão conferindo-as e tudo mais. Normalmente eu chamo alguém para humilhar, mas talvez não aqui.

Uma sementinha pesa muito, e tudo isto, 99% disto aqui, é derivado do ar. Garanto que uns 85% de vocês, ou talvez menos no TED, disseram que vem do solo, e alguns, talvez duas pessoas, depois virão argumentar comigo e dizer que deriva do solo. Nesse caso, haveria inúmeros caminhões levando terra para as casas. Seria ótimo. Mas não é assim. Quase tudo isto vem do ar. Na Inglaterra, eu sempre passei em biologia. Tive ótimas notas, mas me formei pensando que isto vinha do solo.

A segunda: dá para acender uma lâmpada com uma pilha e um fio? Dá, sim, e vou demonstrar logo mais. Mas tenho uma má notícia: eu trouxe um filme para mostrar a vocês, mas infelizmente o som não funciona aqui. Então vou relatar, em estilo Monty Python, o que acontece no vídeo. Nele, um grupo de pesquisadores vai a uma formatura no MIT. Escolhemos o MIT por ser bem longe daqui, então não se importariam, mas o resultado é o mesmo na Inglaterra e no Oeste dos EUA. Fizemos essas mesmas perguntas aos formandos em ciências, e eles não sabiam. E muitos deles diziam: "Eu me surpreenderia se isto viesse do ar. Seria novidade para mim." E são cientistas formados. O vídeo fecha com "Somos a melhor universidade do mundo", para fazer uma graça. (Risos) Quando perguntamos a formandos de engenharia, disseram ser impossível. Demos a eles uma pilha, um fio e uma lâmpada e perguntamos se era possível, mas não conseguiram. Aliás, no Imperial College de Londres não é diferente, não estou fazendo campanha anti-americana.

Até parece... Agora, isto é importante pois gastamos muito dinheiro em ensino, e é bom fazermos isso bem. Há também questões sociais para querermos que todos entendam o que ocorre na fotossíntese. Metade da equação do carbono é o quanto emitimos, e a outra metade da equação, como aprendi no Jardim Botânico, é quanta coisa as plantas absorvem, como dióxido de carbono. É disso que as plantas vivem. E, para os finlandeses aqui, um trocadilho finlandês: estamos, literal e metaforicamente, pisando em gelo fino se não entendermos bem isso. E vejam a lâmpada e a pilha. Muito fácil, não é? É claro que vocês sabiam. Mas, se nunca brincaram com isso, se só viram diagramas de circuitos, talvez não soubessem, e esse é um dos problemas.

E por que no verão faz mais calor? Aprendemos na infância que, quando muito perto de algo quente, nos queimamos. É uma lição valiosa que aprendemos muito cedo. Por extensão, pensamos que, se o verão é mais quente, deve ser por causa da proximidade com o Sol. Garanto que a maioria disse isso. Estão balançando a cabeça, mas só alguns a balançam com firmeza. Outros estão fazendo assim... Tudo bem. O verão é mais quente que o inverno pois os raios solares se espalham mais, devido à inclinação da Terra. E não pensem que essa inclinação nos aproxima. O Sol está a 150 milhões de quilômetros e nos inclinamos assim. Não faz diferença. E no Hemisfério Norte nos afastamos do Sol no verão, mas essa diferença é irrelevante.

Quanto ao diagrama do sistema solar, se a maioria acredita que no verão ficamos mais perto do Sol, deve ter desenhado uma elipse.

Não foi? Isso explicaria tudo. E vários concordam. Só que, com essa elipse, já pensaram no que ocorre à noite? Entre a Austrália e os EUA: lá é verão e aqui é inverno, e como é? A Terra corre rumo ao Sol de noite e depois corre para trás? Isso é muito esquisito. Temos dois modelos na cabeça, um certo e um errado, e, como humanos, fazemos isso em todas as áreas.

Modelo de Copérnico do Sistema Solar  [Wikipedia]
Esta é a ideia de Copérnico do sistema solar representado em um plano. É o que vocês devem ter rascunhado, não? E a visão da NASA. É incrivelmente semelhante. Espero que notem a coincidência. E o que fariam, sabendo que muitos têm a noção errada na cabeça, de órbitas elípticas, devido a experiências na infância? Que diagrama vocês fariam do sistema para evitar esse erro? Fariam algo assim, não é? Um plano visto de cima. Mas vejam o que achei em apostilas, de onde se aprende, livros didáticos, sites, páginas educativas e quase tudo o que há por aí. São assim pois é um tédio ver vários círculos concêntricos. É mais interessante ver algo na diagonal, nesse ângulo, não é? Mas, olhando na diagonal, se temos a ideia errada na cabeça, então a representação bidimensional de algo tridimensional será elíptica. Então... é idiota, não é? E buscamos provas que comprovem nossos modelos mentais. Fazemos isso com questões de raça, política e tudo mais, e com a ciência. Então, vejam... E os cientistas também, procuram provas que reforcem os modelos, e muitas se prontificam a oferecer provas que reforcem os modelos.

Já que estou nos EUA, vou criticar os europeus. Vejam exemplos do que considero más práticas científicas em centros de ensino. Isto é La Villette, na França, e a ala inicial do Museu das Ciências de Londres. Vejam o modo como tudo isto é construído: há muito vidro no meio e é azul, com um jeito profissional. É como o Woody Allen aparecendo de baixo dos lençóis em "Annie Hall", dizendo: "Nossa, é tão profissional!" E aí... não há paixão, nada para manipular. Sem trocadilhos. Mas a boa interpretação é, por exemplo, a do Exploratorium de São Francisco, aqui perto, onde tudo, as demonstrações e tudo mais, é feito de objetos cotidianos que as crianças entendem. É muito prático, podem se envolver e experimentar. Sei que, se os alunos do MIT e do Imperial College tivessem a pilha e o arame, se fuçassem um pouco, saberiam fazê-lo. Aprenderiam como é o funcionamento, em vez de desistirem com base em diagramas de circuitos. A boa interpretação se trata mais de coisas sólidas, palpáveis e do nosso mundo. Mas, quando há uma barreira, como um vidro ou uma máquina de titânio, tudo parece fantástico, certo? O Exploratorium faz isso realmente muito bem. E é amador. Amador no melhor sentido, ou seja, na raiz da palavra, que é amor e paixão.

As crianças não são vazias. Como diria o Monty Python, e estou chovendo no molhado, mas as crianças não são vazias. Têm suas próprias ideias e teorias, e, se não as trabalharmos, não as mudaremos depois. Assim como não mudei as ideias que vocês tem do mundo e do universo. Isso também se aplica a venda de tecnologia. Por exemplo, a Inglaterra está tentando migrar para a TV digital em toda a população. Mas é difícil, pois há preconceitos sobre o sistema e é difícil transformá-los. Não somos ocos, e nossos modelos mentais da infância persistem na nossa vida. O ensino ruim é muito prejudicial. Nos EUA e na Inglaterra, o magnetismo é entendido melhor pelas crianças antes do que depois de irem à escola. O mesmo para a gravidade. Isso é uma lição para nós, professores. Ver o antes e o depois é preocupante. Após aprenderem, se saem pior nos testes. E nós trapaceamos, criando provas, ao menos na Inglaterra, para os alunos passarem. Os governos se saem bem e se congratulam. Não é? Nós somos coniventes, e se alguém formulasse uma prova, nas minhas aulas de biologia, para ver se eu compreendia de fato, mais do que juntar amido com iodo e constatar que fica azul, se eu entendesse que as plantas tiram massa do ar, talvez fosse um cientista melhor. O mais importante é fazer as pessoas articularem as concepções.

Seu dever de casa: como a asa de uma aeronave cria sustentação? Parece óbvio, e vocês já têm uma resposta, mas a segunda parte é: explique também por que os aviões voam de cabeça para baixo. Haha, certo? Outra pergunta: por que o mar é azul? E todos já imaginam a resposta. Mas por que é azul em dias nublados? Estão vendo? (Risos) Sempre quis dizer isso nos EUA. (Risos) Finalmente, meu apelo a vocês e seus filhos, e a quem conhecerem, é que fucem as coisas. Pois é fuçando as coisas que nós complementamos o aprendizado. Não é um substituto, mas uma parte importante do aprendizado. Muito obrigado. Esperem! Ah, bom... Tudo bem. (Aplausos)

[Via BBA]
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Philip Zimbardo: Como pessoas comuns se tornam monstros... ou heróis

Philip Zimbardo é professor da Universidade de Stanford desde 1968. Em 1971 conduziu uma time de pesquisadores para realizar o famoso experimento de aprisionamento de Stanford, que foi um marco no estudo psicológico das reações humanas ao cativeiro, em particular, nas circunstâncias reais da vida na prisão. Depois Zimbardo se ocupou de estudar o que ele chamou de Efeito Lúcifer e sua relação com os abusos cometidos na prisão de Abu Ghraib e outras formas de vilanias.


Filósofos, dramaturgos, teólogos têm lidado com esta questão por séculos: O que faz as pessoas serem más? Curiosamente, eu fiz esta pergunta quando era criança. Quando era uma criança crescendo no sul do Bronx, um gueto dentro de Nova York, eu estava cercado pelo mal, como todas as crianças que cresceram em um gueto. E eu tinha amigos que eram realmente bons garotos, que viviam fora do cenário médico-e-monstro -- Robert Louis Stevenson. Isto é, eles se drogavam, violavam a lei, iam para a cadeia. Alguns foram mortos, e alguns conseguiram isso sem a ajuda das drogas.



Então quando eu lia Robert Louis Stevenson, não era ficção. A única questão era, o que havia no suco? E mais importante, aquela linha entre bem e mal -- que pessoas privilegiadas gostam de pensar que é fixa e impermeável, com elas do lado bom, e os outros do lado ruim -- Eu sabia que aquela linha era móvel, e ela era permeável. Boas pessoas podiam ser seduzidas a cruzar a linha, e sob boas e bastante raras circunstâncias garotos ruins poderiam se recuperar com ajuda, com reforma, com reabilitação.

Portanto quero começar com esta maravilhosa ilusão do artista [holandês] M.C. Escher. Se você olha para ela e foca no branco, o que você vê é um mundo cheio de anjos. Mas vamos olhar mais fundo, e quando o fazemos, o que aparece são os demônios, os diabos do mundo. E isso nos mostra várias coisas.

Uma: o mundo é, foi, sempre será preenchido com bem e mal, porque bem e mal são o Yin e o Yang da condição humana. Isso me diz algo mais. Se vocês se lembram, o anjo favorito de Deus era Lúcifer. Aparentemente, Lúcifer significa "a luz." Também significa "a estrela da manhã," em algumas escrituras. E aparentemente ele desobedeceu Deus, e essa é a máxima desobediência à autoridade. E quando ele o fez, o arcanjo Miguel foi enviado para o expulsar do céu juntamente com os outros anjos caídos. E então Lúcifer cai ao inferno, se torna Satã, se torna o diabo, e a força do mal no universo começa.

Paradoxalmente, foi Deus que criou o inferno como um lugar para guardar o mal. Ele não fez um bom trabalho em manter isso lá, entretanto. Assim, este arco de transformação cósmica de anjo favorito de Deus para o Diabo, para mim, define o contexto para a compreensão dos seres humanos que são transformados de pessoas comuns, boas em perpetradores do mal.

Portanto o Efeito Lúcifer, ainda que com foco nos negativos -- os negativos que as pessoas podem se tornar, não os negativos que as pessoas são -- me leva a uma definição psicológica: o mal é o exercício do poder. E esta é a chave: é sobre poder. Intencionalmente ferir pessoas psicologicamente, ferir pessoas fisicamente, destruir pessoas mortalmente, ou idéias, e cometer crimes contra a humanidade. Se você buscar "mal" no Google, uma palavra que deveria certamente ter já desaparecido, você obtém 136 milhões de resultados em um terço de segundo.

Alguns anos atrás, estou certo de que vocês ficaram chocados, como eu fiquei, com a revelação de soldados Americanos abusando de prisioneiros em um lugar estranho em uma guerra controversa: Abu Ghraib no Iraque. E estes eram homens e mulheres que estavam submetendo prisioneiros a humilhações inacreditáveis. Eu fiquei chocado, mas não surpreso, porque eu havia visto aqueles mesmos paralelos visuais quando eu era o superintendente prisional do Estudo sobre a Prisão de Stanford.

Imediatamente os militares da administração Bush disseram.. o que? O que todos os administradores dizem quando há um escândalo. "Não nos culpem. Não é o sistema. São algumas poucas maçãs podres, os poucos soldados renegados." Minha hipótese é que soldados Americanos são bons, em geral. Talvez o barril que era ruim. Mas como -- como irei lidar com esta hipótese?

Eu me tornei uma testemunha especialista para um dos guardas, sargento Chip Frederick, e nessa posição, eu tive acesso às duzias de relatórios investigativos. Eu tive acesso a eles. Eu pude estudá-los, levá-los para casa, conhecê-los, fazer análises psicológicas para ver se ele era uma maçã boa ou podre. E terceiro, eu tive acesso a todas as 1000 fotos que esses soldados tiraram. Essas fotos são de natureza violenta ou sexual. Todas elas vieram de câmeras de soldados Americanos. Porque todos tinham uma câmera digital ou um celular com câmera, eles tiraram fotos de tudo. Mais de 1000.

E o que eu fiz foi organizá-las em várias categorias. Mas estes eram reservistas da Polícia Militar dos Estados Unidos. Eles não eram absolutamente soldados preparados para esta missão. E tudo aconteceu em um único lugar, pavilhão 1A, no turno da noite. Por que? O pavilhão 1A era o centro da inteligência militar. Era o centro de interrogatórios. A CIA estava lá. Interrogadores da Titan Corporation, todos lá, e eles não estavam obtendo nenhuma informação sobre a insurreição. Então eles começaram a pressionar esses soldados, Polícia Militar, a cruzar a linha, dando a eles permissão para abalar a moral do inimigo, para prepará-los para o interrogatório, para "amaciá-los", para tirar as luvas. Esses são os eufemismos, e isto é como foram interpretados. Vamos descer à masmorra.

(Obturador fotográfico) (Impactos) (Obturador fotográfico) (Impactos) (Respiração) (Sinos)

Portanto, bastante horrível. Essa é uma das ilustrações visuais do mal. E não deve escapar dos seus olhos que a razão porque eu combinei o prisioneiro com seus braços estendidos com a Ode à Humanidade de Leonardo da Vinci, é que o prisioneiro tinha doença mental. Aquele prisioneiro se cobria de fezes todos os dias, e eles costumavam fazer ele rolar na terra para que não cheirasse mal. Mas os guardas acabaram batizando ele de "Shit Boy". O que ele estava fazendo naquela prisão em vez de estar em um hospital psiquátrico?

De qualquer modo, aqui está o ex Secretário de Defesa Rumsfeld. Ele chega e diz, "quero saber quem é responsável" "Quem são as maçãs podres?", bem, essa é uma pergunta ruim. Você tem de reelaborar e perguntar, "O que é responsável?" Porque "o que" pode ser o quem (pessoas), mas pode também ser o que (situação), e obviamente que está equivocado.

Então como psicólogos abordam a compreensão de tais transformações do caráter humano se vocês acreditam que eles eram bons soldados antes de descerem naquela masmorra? Existem três formas. A principal forma é chamada disposicional. Olhamos ao que está dentro da pessoa, as maçãs podres.

Esta é a base de todas as ciências sociais, a base da religião, a base da guerra. Psicólogos sociais como eu chegam e dizem, "Sim, pessoas são os atores no palco, mas você tem de saber qual é a situação. Quem está no elenco? Qual é o figurino? Existe um diretor do espetáculo?" Portanto estamos interessados em: quais são os fatores externos em torno dos indivíduos, o barril ruim? E cientistas sociais param aí e desconsideram o grande ponto que eu descobri quando me tornei testemunha especialista de Abu Ghraib. O poder está no sistema. O sistema cria as situações que corrompem os indivíduos, e o sistema é o arcabouço legal, político, econômico, cultural. E isto é onde o poder está, os fabricantes de barris ruins.

Assim se você quer mudar uma pessoa você tem de mudar a situação. Se você quer mudar a situação, tem de saber onde o poder está no sistema. Portanto o Efeito Lúcifer envolve entender transformações no caráter humano com estes três fatores. E é uma interrelação dinâmica. Em que as pessoas contribuem para estas situações? O que estas situações obtêm delas? E o que existe no sistema que cria e mantém estas situações?

Assim meu livro, O Efeito Lúcifer, recém publicado, é sobre como você entende a maneira como pessoas boas se tornam más? E tem muitos detalhes sobre os quais eu vou falar hoje. Então o "Efeito Lúcifer" do Dr. Z, ainda que focado no mal, realmente é uma celebração da mente humana sua infinita capacidade de tornar qualquer um de nós gentil ou cruel, compassivo ou indiferente, criativo ou destrutivo, e torna alguns de nós vilões. E a boa notícia a que eu espero chegar no final é que torna alguns de nós heróis. Esta é uma ótima tira na revista New Yorker, que realmente resume minha palestra inteira: "Eu não sou nem bom nem mau tira, Jerome. Como você, eu sou uma amálgama complexa de traços de personalidade positivos e negativos que emergem ou não, dependendo das circunstâncias." (Risos)

Existe um estudo que alguns de vocês crêem conhecer, mas muito poucas pessoas sequer leram a história. Vocês viram o filme. Este é Stanley Milgrom, pequeno garoto judeu do Bronx, e ele fez a pergunta: "O holocausto poderia acontecer aqui, agora?" As pessoas dizem: "Não, isso foi na Alemanha Nazista, é Hitler, sabe, é 1939." Ele disse "Sim, mas suponha que Hitler pedisse a você, Você eletrocutaria um estranho?" "Sem chance, não eu, eu sou uma pessoa boa." Ele disse "Por que não o colocamos em uma situação e damos a você a chance de ver o que você faria?"

E então o que ele fez foi testar 1000 pessoas comuns. 500 em New Haven, Connecticut; 500 em Bridgeport. E a propaganda dizia: "Psicologistas querem entender a memória, queremos melhorar a memória das pessoas, porque a memória é a chave para o sucesso." OK? "Vamos lhe dar cinco dólares -- quatro dólares pelo seu tempo." E dizia "Não queremos estudantes universitários, queremos homens entre 20 e 50" -- nos estudos posteriores eles recrutaram mulheres -- pessoas comuns: barbeiros, balconistas, colarinhos brancos.

Então vocês vão, e um de vocês vai ser o aprendiz, e um de vocês vai ser o professor. O aprendiz é um cara genial, de meia-idade. Ele é amarrado ao aparato de choque em outra sala. O aprendiz podia ser de meia-idade, podia ser jovem como 20 anos. E um de vocês é instruído pela autoridade, o cara com o jaleco de laboratório, "Seu trabalho como professor é dar a este cara material para aprender. Se ele acerta, premie-o. Se ele erra, pressione um botão na caixa de choque. O primeiro botão é de 15 volts. Ele nem sente." Essa é a chave. Todo o mal começa com 15 volts. E então o próximo passo tem mais 15 volts. O problema é, o último botão é de 450 volts. E na medida que você avança o cara está gritando, "Tenho problema cardíaco! Quero sair daqui!"

Você é uma pessoa boa. Você reclama. "Senhor, quem será responsável se algo acontecer a ele?" O experimentador diz "Não se preocupe, eu serei responsável. Continue, professor." E a pergunta é, quem iria até o fim aos 450 volts? Vocês devem notar aqui, quando chega a 375, diz "Perigo: choque grave." Quando chega aqui, é "XXX": a pornografia do poder. (Risos)

Então Milgrom perguntou a 40 psiquiatras, "Que percentual dos cidadãos Americanos iriam até o fim?" Eles disseram apenas 1 por cento. Porque isso é comportamento sádico, e sabemos, psiquiatras sabem, apenas 1 por cento dos Americanos são sádicos. OK. Aqui estão os dados. Eles não poderiam estar mais errados. Dois terços vão até o fim aos 450 volts. Isso foi só um estudo. Mligram fez mais que 16 estudos. E vejam isto. No estudo 16, quando você vê alguém como você ir até o fim, 90 por cento vão até o fim. No estudo cinco, se você vê pessoas se rebelarem, 90 por cento se rebelam. E quanto às mulheres? Estudo 13: nenhuma diferença dos homens. Portanto Milgrom está quantificando o mal como a propensão das pessoas a obedecer cegamente à autoridade, a ir até o fim para 450 volts. E é como girar um botão na natureza humana. Girar um botão no sentido de poder tornar quase todo mundo totalmente obediente. Até a maioria, até ninguém.

E quais são os paralelos externos? Porque toda pesquisa é artificial. Qual é a validade no mundo real? 912 cidadãos americanos cometeram suicídio ou foram assassinados pela família e amigos na selva da Guiana em 1978, porque eles eram cegamente obedientes a este cara, seu pastor. Não seu padre. Seu pastor, reverendo Jim Jones. Ele os persuadiu a cometer suicídio em massa. E assim ele é o Efeito Lúcifer moderno. Um homem de Deus que se torna o Anjo da Morte. O estudo de Milgram diz muito sobre a autoridade individual controlando pessoas. Na maior parte do tempo estamos em instituições, assim o Estudo da Prisão de Stanford é um estudo sobre o poder das instituições para influenciar o comportamento individual. Curiosamente, Stanley Milgrom e eu estávamos na mesma turma do ensino médio. na James Monroe do Bronx, 1954.

Então este estudo, que eu fiz com meus estudantes de pós-graduação, especialmente Craig Haney, nós também começamos a trabalhar com um anúncio. Não tínhamos dinheiro, então fizemos um anúncio pequeno, barato, mas procuramos estudantes universitários para um estudo da vida na prisão. 75 pessoas foram voluntárias, fizeram testes de personalidade. Fizemos entrevistas. Pegamos duas dúzias: os mais normais, os mais saudáveis. Aleatoriamente atribuímos a eles o papel de prisioneiro ou guarda. E no primeiro dia, sabíamos que tínhamos boas maçãs. Eu iria colocá-los em uma situação ruim.

E segundo, sabíamos que não havia diferença entre os garotos que seriam os guardas e os garotos que seriam os prisioneiros. Aos garotos que seriam prisioneiros, dissemos, "Esperem em casa nos dormitórios. O estudo começa domingo." Não contamos a eles que a polícia municipal iria aparecer e fazer prisões realistas. Homem no vídeo: Um carro de polícia estaciona na frente, e um policial vem à porta da frente bate e diz que está procurando por mim. Então eles, bem aqui, sabe, eles me levaram para fora, puseram minhas mãos contra o carro. Era um carro de polícia real, era um policial real, e havia vizinhos reais na rua que não sabiam que isso era um experimento. E havia câmeras em toda a redondeza e vizinhos em toda a redondeza. Eles me puseram no carro, então eles me levaram perto de Palo Alto. Eles me levaram à delegacia, o porão da delegacia. Então me puseram em uma cela. Eu fui o primeiro a ser pego, então me puseram um uma cela, que era exatamente como uma sala com barras nela. Não dava para dizer que não era uma cadeia de verdade. Me trancaram lá, nestas roupas degradantes. Estavam levando este experimento a sério demais.

Aqui estão os prisioneiros que iriam ser desumanizados. Eles iriam se tornar números. Aqui estão os guardas com os símbolos de poder e anonimidade. Guardas pegam prisioneiros para limpar as privadas com suas próprias mãos, para fazer outras tarefas humilhantes. Eles os despem. Eles os ridicularizam sexualmente. Eles começam a fazer atividades degradantes, como simulação de sodomia. Vocês viram uma simulação de sexo oral em soldados de Abu Ghraib. Meus guardas fizeram isso em cinco dias. A reação ao stress foi tão extrema, que garotos normais que escolhemos porque eram saudáveis tiveram colapsos dentro de 36 horas. O estudo terminou depois de seis dias porque saiu do controle. Cinco garotos tiveram colapsos emocionais.

Faz diferença se guerreiros vão à batalha mudando suas aparências ou não? Faz diferença se eles são anônimos no modo como tratam suas vítimas? Sabemos que em algumas culturas quem vai à guerra, não muda sua aparência. Em outras culturas eles se pintam como "Senhor das Moscas." em algumas eles usam máscaras. em muitas, soldados estão anônimos nos uniformes. Então este antropólogo, John Watson, descobriu 23 culturas que tinham duas pitadas de dados. Elas mudavam sua aparência? 15. Elas matavam, torturavam, mutilavam? 13. Se eles não mudavam sua aparência apenas um em oito mata, tortura ou mutila. A chave está na zona vermelha. Se eles mudam sua aparência, 12 de 13 -- isso é 90 por cento -- matam, torturam, mutilam. E este é o poder do anonimato.

Então quais são os sete processos sociais que lubrificam a ladeira escorregadia do mal? Displicentemente dar o pequeno primeiro passo. Desumanização dos outros. De-individualizar o indivíduo. Difusão da responsabilidade pessoal. Obediência cega à autoridade. Conformismo não-crítica às regras do grupo. Tolerância passiva ao mal pela inação ou indiferença.

E acontece quando você está em uma situação nova ou não familiar. Seu padrão de resposta habitual não funciona. Sua personalidade e moralidade estão desatentas. "Nada é mais fácil que denunciar o malfeitor; nada mais difícil que entendê-lo," Dostoievsky nos diz. Compreender não é desculpar. A Psicologia não é desculpologia.

Portanto a pesquisa social e psicológica revelam como pessoas boas comuns podem ser transformadas sem as drogas. Você não precisa delas. Você só precisa do processo psicossocial. Paralelos do mundo real? Compare isto com isto. James Schlesinger -- e eu vou precisar terminar com isto -- diz, "Psicólogos têm tentado entender como e por que indivíduos e grupos que tipicamente agem humanamente podem às vezes agir de outro modo em certas circunstâncias." Este é o Efeito Lúcifer. E ele prossegue e diz, "O pioneiro estudo de Stanford fornece uma palavra de alerta para todas as operações militares." Se você dá às pessoas poder sem supervisão, é uma receita para o abuso. Eles sabem disso e deixam acontecer.

Assim outro relatório, um relatório investigativo do General Fay, diz que o sistema é culpado, e neste relatório ele diz que foi o ambiente que criou Abu Ghraib pelas falhas de liderança que contribuíram à ocorrência de tais abusos, e o fato de que permaneceu oculto das autoridades mais altas por um longo período. Esses abusos aconteceram por três meses. Quem estava cuidando da loja? A resposta é ninguém, e eu acho, propositalmente. Ele deu aos guardas a permissão para fazer essas coisas, E então sabia que ninguém nunca iria descer àquela masmorra.

Então você precisa de uma mudança de paradigma em todas estas áreas. A mudança é para longe do modelo médico que foca apenas no indivíduo. A mudança é no sentido de um modelo de saúde pública que reconhece os vetores situacionais e sistêmicos da doença. Prepotência é uma doença. Preconceito é uma doença. Violência é uma doença. E desde a Inquisição, temos tratado de problemas no nível individual. E sabem de uma coisa? Não funciona. Alexander Solzhenitsyn diz que a linha entre o bem e o mal atravessa o coração de cada ser humano. Isso significa que a linha não está lá fora. Essa é uma decisão que você tem de tomar. É uma coisa pessoal.

Então eu quero terminar bem rápido com uma nota positiva: heroísmo é o antídoto para o mal. Ao promover a imaginação heróica, especialmente em nossos filhos, em nosso sistema educacional. Queremos que as crianças pensem, eu sou o herói esperando, esperando que situação certa apareça, e eu vou agir heroicamente. Minha vida inteira vai agora focar para longe do mal em que eu estive desde que eu era uma criança, para entender os heróis.

E agora sua idéia de heroísmo é, são pessoas comuns que fizeram coisas heróicas. É o contraponto para A Banalidade do Mal, de Hannah Arendt. Nossos heróis sociais tradicionais estão errados, porque eles são as exceções. Eles organizam sua vida inteira em torno disto. É por isso que conhecemos seus nomes. E os heróis de nossos filhos são também exemplos para eles, porque eles têm talentos sobrenaturais. Queremos que nossos filhos percebam que a maioria dos heróis são pessoas do dia-a-dia, e o ato heróico é raro. Este é Joe Darby. Ele é o que acabou com os abusos que vocês viram, porque quando ele viu aquelas imagens, ele as entregou para um oficial da corregedoria. Ele era um soldado de baixa patente e que parou isso. Ele era um herói? Não. Eles tiveram que escondê-lo, porque as pessoas queriam matá-lo, e matar sua mãe e sua esposa. Eles estiveram escondidos por três anos.

Esta é a mulher que interrompeu o Estudo da Prisão de Stanford. Quando eu disse que saiu do controle, eu era o superintendente da prisão. Eu não sabia que estava fora de controle. Eu estava totalmente indiferente. Ela apareceu, viu aquele hospício e disse, "Sabe de uma coisa, é terrível o que está fazendo com esses garotos. Eles não são prisioneiros, eles não são guardas, eles são garotos, e você é responsável." E eu acabei com o estudo no dia seguinte. A boa notícia é que eu me casei com ela no ano seguinte. (Risos) (Aplausos) Eu apenas caí na real, obviamente.

Tais situações têm o poder de fazer isso, entretanto -- mas o ponto é, esta é a mesma situação que pode inflamar a imaginação hostil em alguns de nós, que nos faz perpetradores do mal, pode inspirar a imaginação heróica em outros. É a mesma situação. E você está de um lado ou de outro. A maioria das pessoas são culpadas do mal da inação, porque sua mãe disse, "Não se envolva, cuide da sua vida." E você tem de dizer, "Mãe, a humanidade é parte da minha vida."

Então a psicologia do heroísmo é -- vamos terminar em um instante -- como incentivamos crianças para o caminho do novo herói, no qual tenho trabalhado com Matt Langdon -- ele tem um workshop de heróis -- para desenvolver sua imaginação heróica, esta auto-intitulada, "Eu sou um herói à espera," e ensiná-los habilidades. Para ser um herói você tem de aprender a ser um divergente, porque você está sempre indo contra a conformidade do grupo. Heróis são pessoas comuns cujas ações sociais são extraordinárias. Que agem.

A chave para o heroísmo são duas coisas:

A: Você tem de agir quando outras pessoas são passivas.
B: Você tem de agir de modo sociocêntrico, não egocêntrico.

E eu quero terminar com a estória que alguns de vocês conhecem, sobre Wesley Autrey, herói do metrô de Nova York. Um afro-americano de 50 anos, trabalhador de construção. Ele estava esperando no metrô em Nova York; um homem branco cai nos trilhos. O vagão do metrô está chegando. Havia 75 pessoas lá. Sabem o que aconteceu? Elas paralisaram. Ele tinha um motivo para não se envolver. Ele é negro, o cara é branco, e ele tem dois filhos pequenos. Entretanto, ele deixa seus filhos com um estranho, salta nos trilhos, coloca o cara entre os trilhos, deita sobre ele, o metrô passa por cima dele. Wesley e o cara: meio metro de altura. O trem passa dois centímetros acima. Um centímetro teria arrancado sua cabeça. E ele diz "Eu fiz o que qualquer um poderia fazer," não é grande coisa pular nos trilhos.

E o imperativo moral é "Eu fiz o que qualquer um deveria ter feito." Então um dia, você estará em uma nova situação. Siga o caminho um e você será o perpetrador do mal. Mal, significa que você será Arthur Anderson. Você vai trapacear, você vai permitir prepotência. Caminho dois: você se torna culpado do mal de inação passiva. Caminho três: você se torna um herói. O ponto é, estamos prontos a tomar o caminho de premiar heróis comuns, esperando pela situação certa aparecer, para por a imaginação heróica em ação? Porque pode ser que aconteça só uma vez na vida, e quando você deixa passar você sempre saberá, eu poderia ter sido um herói e eu deixei passar. Então o ponto é pensar nisso e então fazer isso.

E eu quero agradecer. Obrigado. Obrigado. Vamos opor o poder dos sistemas maus em casa e no mundo, e vamos focar no positivo. Advogar o respeito da dignidade pessoal, a justiça e paz, que infelizmente nosso governo não tem feito. Muito obrigado. (Aplausos)

[Via BBA]
Continua...

Google Brasil responde às investidas do ECAD na blogosfera

PIPA, SOPA, ACTA, Fechamento do Megaupload, e agora o ECAD. 2012 vai ser o ano da demarcação dos limites da liberdade na internet. O Google Brasil publicou em seu Blog do YouTube Brasil um comunicado (intitulado: Sobre execução de música em vídeos do YouTube) sobre a tentativa do ECAD de cobrar taxas de blogueiros e donos de sites que incorporam vídeo do YouTube em suas páginas.


Continua...
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