Blog Brasil Acadêmico

A fraternidade não é vermelha

Já tratamos do tema aqui no post Quer vencer? Use Vermelho. Contudo, outros indícios e explicações parecem dar mais corpo para a afirmação de uma cor sobre a outra.
O vermelho deixa as mulheres mais desejáveis
Russell Hill e Robert Barton, do Grupo de Pesquisas sobre Antropologia Evolutiva da Universidade de Durham já haviam levantado esta hipótese ao confrontar resultado de esportes de combate nas olimpíadas, onde um atleta usava azul e o outro vermelho de modo aleatório. Os lutadores de vermelho ganharam 60% das lutas.
Mas o que outros estudos revelam é que além de abichornar os adversários o vermelho também auxiliaria na concentração.
Pesquisadores canadenses submeteram 600 voluntários a testes de laboratório (envolvendo palavras, objetos ou imagens) a fim de determinar se a cor afetaria o desempenho cognitivo. O termos ou objetos eram colocados na tela de um computador ou sobre uma com o fundo ora vermelho, ora azul.
O resultado? Quando o vermelho foi predominante, os voluntários foram bem nos testes de memorização e quando foi exigido atenção aos detalhes (lembraram mais facilmente palavras na tela do computador e detectaram melhor erros de ortografia e pontuação).
Porém, quando o teste exigia criatividade e imaginação, aí foi a vez do azul se destacar. Os voluntários criaram brinquedos partindo de formas geométricas e inventaram novos usos para objetos como um tijolo.
"Talvez exista algumpapel desempanhado pela evolução e pela genética, mas isso não ficou evidenciado. O que nosso levantamento indica é que somos guiados por uma associação cultural." Afirma Juliet Zhu, professora de marketing e líder do estudo.
Ou seja, os testes diagnosticaram o fato, mas não foi possível determinar as causas.
Culturalmente, o vermelho estaria associado ao perigo. Como nos carros de bombeiro e as placas de "pare", por exemplo. Isso tornaria as pessoas mais vigilantes e cuidadosas na sua presença. O azul daria a idéia de liberdade, espaços abertos e à segurança. O que encorajaria as pessoas a serem mais exploradoras e aumentaria a criatividade. "Acredito tanto nisso que, quando me vejo obrigada a ter idéias criativas e originais para minhas pesquisas, mudo o fundo de tela do meu computador para azul."
Ela recomenda que as empresas tenham salas separadas que em uma predomine o vermelho, um santuário para concentração, e na outra o azul, um ambiente gerador de idéias criativas, tamanho é o resultado que medidas como estas podem apresentar, segundo Juliet.
Desta forma, mudanças na decoração desta salas poderia adequá-las para serviços de concentração máxima (como uma sala de revisores de publicações), no caso da sala rubra, ou para brainstorming para publicitários, por exemplo, no caso do aposento azul.
Estudos feitos pelo chefe do departamento de Antropologia da Universidade de Durham, Inglaterra, Robert Barton e seu parceiro Russell Hill já haviam detectado que vestir um costume vermelho pode ajudar nos combates corpo a corpo (vide Quer vencer? Use Vermelho), porém, Barton afirma, isso funcionaria até quando o combate não é físico: "estudos posteriores ao nosso mostraram que o vermelho ajuda até enxadristas, pois estimula o comportamento esquivo e diminui a performance cognitiva do adversário".
E nos esportes coletivos? Pois os pesquisadores de Durham fizeram essa mesma pergunta e analisaram os resultados da Euro-04, um torneio entre seleções da Europa.
Nele seis equipe usaram uniformes vermelhos e de outra cor alternadamente (Inglaterra, Dinamarca, Rússia, Letônia, Suíça e República Tcheca).
Os pesquisadores notaram que as seleções ganharam mais quando usaram camisa vermelha.
O caso mais emblemático foi o da Rússia, que disputara três partidas. Em duas usou camisa branca e azul, respectivamente, foi derrotada pela Espanha e Portugal. Já com o uniforme vermelho derrotou a seleção que foi campeã daquele torneio, a Grécia.
"Nós constatamos que uniformes vermelhos aumentam a chance de sucesso a longo prazo na Liga Inglesa de futebol, por exemplo", destacam os pesquisadores.
Em agosto do ano passado, porém, um estudo da Universidade de Münster, Alemanha, conduzido por Norbert Haggemann e equipe, foi publicado com uma conclusão alarmante:
a cor usada por um competidor pode afeta as decisões dos árbitros. E para comprovar a teoria os pesquisadores submeteram 42 profissionais do apito a uma experiência. Colocados em uma sala onde eram mostrados vídeos de lutas de tae kwon do. Neles os lutadores usavam cada um uma cor: vermelho e azul.
Cada árbitro assistia separadamente aos vídeos e dando pontos para os lutadores. Depois os vídeos eram reexibidos em ordem inversa com as cores dos uniformes trocadas digitalmente, isto é, quem usava vermelho passou a usar azul.
Resultado: os árbitros deram 13% a mais de pontuação para os atletas que usavam vermelho.

Contraponto: a camisa vermelha não ajudou o internacional em um dos piores erros de arbitragem do futebol brasileiro. O árbitro, que depois reconheceu o erro, além de não dar o penalty na voadora que o goleiro Fábio Subzero Costa do Corinthians deu em Tinga. Acabou por expulsar o jogador colorado, invertendo a falta e mudando a história do jogo e do campeonato.

"Basicamente, nós argumentamos que os árbitros são os principais responsáveis pela supremacia dos atletas de vermelho", relata Hagemann.

Cor do Pecado
Outro estudo, feito pela Universidade de Rochester, EUA, chefiada pelo psicólogoAndrew Elliot, parece confirmar o que muitos intuitivamente já descofiavam.
O vermelho deixa as mulheres mais atraentes.
No estudo foram exibidas fotos de moças cujo o fundo ou as roupas foram colorizadas em várias matizes.
Enquanto exibia a imagem o pesquisador indagava: "quão bonita você acha essa pessoa?" ou "Quanto você gastaria em uma noite com ela?". Resultado: comparado com as moças de preto, azul, verde amarelo ou cinza, as moças de vermelho, ou contra um fundo vermelho, ficam mais sexualmente desejáveis e teriam um maior desembolso em um encontro romântico.

Lady in red, o eterno hino às damas de vermelho. Os artista já captavam o que a ciência agora comprova.

A questão que fica é se essas reações cromáticas são advindas de nossa evolução ou são aprendidas como uma herança cultural.
Cada pesquisador tem sua teoria e não se tem ainda uma prova definitiva que explique todos os efeitos constatados nas pesquisas.
Mas o resultado das pesquisas acabaram alterando a vida doméstica do pesquisador Elliot: "não, não mudei o jeito com que abordo as mulheres nem a cor dos aventais. Apenas bani o vermelho do guarda-roupa de minha filha de 16 anos", afirma o cromático pai e psicólogo.
Para as moças, se estiverem a fim de cantadas mais qualificadas prefira o azul ao invés do vermelho. Agora, se quantidade é o que importa, força no batom rouge.



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Fonte: Vá de vermelho - Revista Galileu Núm. 213 abril 2009.


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