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O sexo selvagem dos animais

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Imagine um mergulhador no meio do oceano que, em pânico, se depara com uma cobra ou enguia se deslocando furiosamente pelas águas. É melhor ...

Imagine um mergulhador no meio do oceano que, em pânico, se depara com uma cobra ou enguia se deslocando furiosamente pelas águas. É melhor examinar bem pois pode ser apenas um pênis destacável de argonauta.

Essas e outras surpresas sobre o sexo dos animais é o que a bióloga Carin Bondar nos conta nessa palestra sobre como os animais "se divertem" quando não têm televisão ou internet.



Alguém aqui já pensou em sexo hoje? (Risadas) Claro que pensaram. Obrigada por levantarem a mão aí. Estou aqui para trazer a vocês algumas razões biológicas para os seus sonhos sórdidos. Vou dizer algumas coisas que talvez ainda não saibam a respeito do sexo selvagem.

Quando os humanos pensam em sexo, as formas masculina e feminina geralmente são o que vem à mente, mas, durante milhões de anos, essas categorias específicas nem sequer existiam. O sexo era uma mera fusão de corpos ou um pingo de DNA compartilhado entre dois ou mais seres. Somente há cerca de 500 milhões de anos começamos a ver estruturas parecidas com um pênis ou algo que expele DNA, e com uma vagina, algo que recebe DNA. Sem dúvida, vocês devem estar pensando nas características da nossa própria espécie, essas estruturas bem familiares, mas a diversidade das estruturas sexuais no reino animal, que evoluiu devido a incontáveis fatores relacionados à reprodução, é realmente impressionante.

A diversidade de pênis é especialmente abundante. Este é um argonauta. É um parente próximo da lula e do polvo, e os machos possuem um hectocótilo. Mas o que é um hectocótilo? Um pênis nadador destacável. Ele deixa o corpo do macho, encontra a fêmea por meio de rastros de feromônio na água, conecta-se ao corpo dela e deposita o esperma. Por muitas décadas, biólogos acharam que o hectocótilo fosse um organismo completamente separado. Bem, a anta é um mamífero da América do Sul. E a anta possui um pênis preênsil. Na verdade, ela possui um nível de destreza com seu pênis semelhante ao que temos com nossas mãos. E ela usa essa destreza para contornar completamente a vagina e depositar o esperma diretamente no útero da fêmea, sem mencionar que é bem grande. O maior pênis do reino animal, entretanto, não é o da anta. A maior proporção do pênis por tamanho do corpo no reino animal é da Cirripedia e este vídeo mostra, na verdade, como seria o pênis humano se tivesse o mesmo tamanho do pênis da Cirripedia. (Risadas) Mm-hm. (Risadas)

Então, com toda essa diversidade estrutural, pode-se achar, então, que os pênis se encaixam perfeitamente nas vaginas em todo lugar, visando à reprodução bem-sucedida. Simplesmente insere-se A na entrada B, e pronto. Mas é claro que não é bem assim, isso porque não podemos considerar só a forma. Também temos que considerar a função, e, no que se refere a sexo, a função está relacionada às contribuições trazidas pelos gametas, ou seja, o esperma e os óvulos. E essas contribuições estão longe de serem iguais. Os óvulos exigem muito custo para serem gerados. Por isso as fêmeas precisam ser bem seletivas quanto a com quem compartilhá-los. O esperma, por outro lado, é abundante e barato. Faz sentido os machos adotarem um estratégia "quanto mais sexo, melhor", quando se trata de gerar membros das próximas gerações.

Então, como os animais lidam com essas necessidades incongruentes dos sexos? Quero dizer, se uma fêmea não escolhe um macho específico, ou se ela tem a capacidade de armazenar esperma e ela simplesmente tem bastante, então, faz mais sentido que ela passe seu tempo fazendo outras coisas biologicamente relevantes: evitando predadores, cuidando da cria, procurando e ingerindo alimento. É claro que isso é má notícia para os machos, que têm que fazer um depósito no banco de esperma, e prepara o terreno para algumas estratégias bem drásticas para uma fertilização bem-sucedida. Isto é sexo de percevejos, e é apropriadamente chamado de inseminação traumática. Os machos possuem um pênis eriçado e farpado que literalmente enfiam na fêmea, e eles não o enfiam nem perto da vagina. Eles o enfiam em qualquer lugar do corpo da fêmea, e o esperma simplesmente migra através da hemolinfa até os ovários. Se a fêmea ficar com muitos ferimentos de estocadas, ou se um dos ferimentos for infectado, ela pode até morrer.

Bem, se você já saiu para dar uma volta agradável e tranquila à beira do lago e viu por acaso alguns patos fazendo sexo, com certeza você se assustou, porque parece um estupro em grupo. E, francamente, é exatamente isso. Um grupo de machos agarram a fêmea, seguram-na por cima, e, como uma bala, atiram seu pênis de forma espiral dentro da sua vagina com formato de saca-rolhas, várias vezes. De flácido a ejaculação em menos de um segundo. Mas é a fêmea quem ri por último, porque ela pode manipular sua posição para permitir que o esperma de certos pretendentes tenha melhor acesso a seus ovários.

Gosto de contar essas histórias para a plateia porque, pois é, nós humanos tendemos a achar o sexo legal, que o sexo é bom, existe o romance e também o orgasmo. Mas o orgasmo, na verdade, só evoluiu há cerca de 65 milhões de anos, com o surgimento dos mamíferos. Mas já acontecia com alguns animais bem antes disso. Existem maneiras mais primitivas de se dar prazer ao parceiro.

Os machos de forfícula têm ou pênis muito grande ou pênis muito pequenos. Uma característica bem simples herdada geneticamente e os machos não são diferentes. Os que possuem pênis compridos não são maiores ou mais fortes, nem diferentes em nada. Então, voltando à nossa mente biológica, talvez pensemos que as fêmeas devem escolher fazer sexo com os caras que têm membros menores, porque elas podem usar seu tempo para outras coisas: fugir de predadores, cuidar da cria, encontrar e ingerir alimento. Mas os biólogos têm observado continuamente que as fêmeas escolhem fazer sexo com os machos que possuem membros compridos. Por que elas fazem isso? Bem, segundo a literatura de biologia, "durante a cópula, a genitália de certos machos pode conseguir respostas mais favoráveis das fêmeas por meio de mecanismo superior ou interação estimulante como as características reprodutivas femininas". Mm-hm.

Estes são lebistes mexicanos, e o que vemos nos maxilares superiores são filamentos epidérmicos exagerados, e eles formam essencialmente um bigode de peixe, se quiserem chamar assim. Agora, observou-se que os machos precisam estimular a abertura da vagina antes de copular com ela, e o que apelidei carinhosamente de hipótese Magnum P.I., as fêmeas são muito mais suscetíveis a machos com esses bigodes de peixe. Um pouco de pornô de peixe para vocês.

Bem, nós vimos muitas estratégias diferentes que os machos usam quando vão conquistar uma parceira. Nós vimos a estratégia de coerção, em que estruturas sexuais são forçadas para que a fêmea faça sexo. Também vimos uma estratégia de excitação em que machos satisfazem as parceiras para que elas o escolham como parceiro para sexo. Infelizmente, no mundo animal, é a estratégia de coerção que sempre vemos. É muito comum em vários filos, de invertebrados a aves, mamíferos, e claro, até mesmo os primatas.

O interessante é que existem algumas espécies de mamíferos em que os órgãos genitais femininos evoluíram para não permitirem que o sexo por coerção aconteça. Elefantes e hienas fêmeas têm um clitóris peniano ou um tecido do clitóris aumentado na parte externa, parecida com um pênis, e é muito difícil saber o sexo desses animais olhando apenas sua morfologia externa. E antes de o macho inserir seu pênis na vagina da fêmea, ela precisa, basicamente, virar o clítoris peniano ao avesso dentro do seu próprio corpo. Quer dizer, imaginem colocar um pênis dentro do outro. Simplesmente não vai acontecer ao menos que a fêmea esteja de acordo com a situação. Um fato ainda mais interessante é que a sociedade dos elefantes e das hienas são completamente matriarcais: elas são lideradas por fêmeas, grupos de fêmeas, irmãs, tias e filhas, e quando os machos jovens atingem a maturidade sexual, eles são forçados a sair do grupo. Na sociedade das hienas, machos adultos são os mais inferiores na escala social. Eles só podem participar da caça depois de todos os outros, incluindo a prole. Pelo jeito, quando se tira o poder do pênis do macho, tira-se também todo o poder social que ele tem.

Então, qual seria minha mensagem de hoje? Bem, o sexo vai muito além de encaixar a parte A na entrada B e esperar que as crias surjam por toda parte. As estratégias sexuais e as estruturas reprodutivas que vemos no reino animal basicamente ditam a forma como machos e fêmeas vão reagir uns aos outros, o que, por sua vez, dita como as populações e as sociedades se formam e evoluem.

Então, talvez não seja surpresa para vocês que os animais, inclusive nós, passem grande parte do tempo pensando em sexo, mas o que talvez os surpreenda é até que ponto tantos outros aspectos da vida deles, e da nossa, são influenciados pelo sexo.

Então, obrigada e bons sonhos.

(Aplausos)

[Via BBA]

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Brasil Acadêmico: O sexo selvagem dos animais
O sexo selvagem dos animais
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