Como ensinar filosofia para quem tem todo tempo do mundo para refletir? Todo professor sabe que aprende-se muito ensinando. E na prisão isso não é diferente.
Lá está o vadio no chão, poça de sangue. E isso é homicídio qualificado. De 25 anos a prisão perpétua, condicional aos 50, com sorte, e Tony não se sente com tanta sorte.Então eu digo a Tony, "Sinto muito, mas é pior do que você pensa. Pensa que sabe o que é certo e errado? Então pode me dizer o que é errado? Não, não me dê simplesmente um exemplo. Quero saber sobre o errado em si, a concepção de errado. Que concepção é essa? O que faz algo ser errado? Como sabemos que é errado? Talvez você e eu discordemos. Talvez um de nós esteja equivocado sobre o que é errado. Talvez seja você, talvez eu -- mas não estamos aqui para trocar opiniões; todos temos uma opinião. Estamos aqui pelo conhecimento. Nosso inimigo é a ausência de reflexão. Isto é filosofia." E algo muda em Tony. "Pode ser que eu esteja errado. Estou cansado de estar errado. Quero saber o que é errado. Quero saber o que sei." Naquele momento Tony vê o projeto de filosofia, o projeto que começa em questionamento -- o que Kant chamava de "admiração e respeito pelo céu acima estrelado e a lei moral contida." O que criaturas como nós sabemos dessas coisas? É o projeto que nos leva sempre de volta à condição de existência -- o que Heidegger chamou de "o ser-aí". É o projeto de questionar o que cremos e a razão de crermos-- o que Sócrates chamou de "a vida examinada." Sócrates, um homem suficientemente sábio para saber que nada sabia. Sócrates morreu na prisão, sua filosofia intacta.
![]() |
| A Morte de Sócrates (La Mort de Socrate). Pintura de 1787 do pintor francês Jacques-Louis David. |
Sócrates, um homem suficientemente sábio para saber que nada sabia. Sócrates morreu na prisão, sua filosofia intacta.Então quando ele me entrega seu trabalho final, no qual argumenta que o imperativo categórico talvez seja inflexível demais para lidar com o conflito que nos afeta diariamente e me desafia a dizer-lhe se estamos, portanto, condenados ao fracasso moral, eu digo, "não sei. Vamos pensar sobre isso." Porque naquele momento, o nome de Tony não está marcado; somos apenas os dois ali. Não somos professor e presidiário, Somos simplesmente duas mentes prontas a filosofar. E eu digo a Tony, "Vamos fazer isto." Obrigado. (Aplausos) [Via BBA]



















0 no blog
Adicionar " Filosofia na prisão " aos Favoritos
Postar um comentário
Com o objetivo de reduzir o spam incluímos a verificação de palavras nos comentários (o que impede os comentários vindo de robôs).