Sobre religiões e bebês

Hans Rosling tinha uma pergunta: Algumas religiões têm uma taxa de nascimento mais alta que outras - Como isso afeta o crescimento global da população?


Falando no TEDxSummit, em Doha, Qatar, o professor de saúde mundial do Instituto Karolinska, Suécia, Hans Rosling, transforma dados em gráficos, através do tempo e das religiões. Chegando a uma surpreendente conclusão sobre as taxas mundiais de fertilidade, sempre com seu humor característico.

Vou falar sobre religião. Mas este é um assunto amplo e muito delicado , portanto, tenho que me restringir. E assim sendo, vou me restringir a falar somente sobre os vínculos entre religião e sexualidade.

(Risadas)

Este é um assunto muito sério. Então falarei daquilo que lembro como mais maravilhoso. É quando o jovem casal sussurra: "Esta noite vamos fazer um bebê." Minha palestra será sobre o impacto das religiões no número de bebês por mulher.



Isto é muito importante, porque todos entendem que há algum tipo de limite para quantas pessoas podemos ter neste planeta. E há algumas pessoas que dizem que a população mundial está crescendo desta forma - três bilhões em 1960, sete bilhões exatamente no ano passado - e continuará crescendo porque há religiões que impedem as mulheres de terem poucos bebês, e isso pode continuar assim.


Até onde essas pessoas estão certas? Quando eu nasci, havia menos de um bilhão de crianças no mundo, e hoje, 2000, há quase dois bilhões. O que aconteceu desde então, e o que os especialistas preveem que acontecerá com o número de crianças durante este século? Isto é um quebra-cabeças. O que vocês acham? Vocês acham que ela diminuirá para um bilhão? Permanecerá a mesma e será de dois bilhões no final do século? O número de crianças aumentará a cada ano até 15 anos, ou continuará na mesma taxa acelerada e será de quatro bilhões de crianças, quando chegar lá ? Eu lhes direi ao final de minha palestra. Mas agora, o que a religião tem a ver com isso? Quando você quer classificar religião, é mais difícil do que você pensa. Você vai à Wikipedia e o primeiro mapa que encontra é este. Ele divide o mundo em religiões abraâmicas e religião oriental, mas isso não é suficientemente detalhado. Então prosseguimos e encontramos na Wikipedia este mapa. Mas este subdivide Cristianismo, Islamismo e Budismo em muitos subgrupos, o que era excessivamente detalhado. Assim sendo, fizemos nosso próprio mapa no Gapminder, e ficou assim. Cada país é uma bolha. O tamanho é a população -- China e Índia, grandes, aqui. E a cor agora é a religião predominante.

É a religião à qual mais de 50 por cento das pessoas declaram pertencer. É a religião oriental na Índia, China e países asiáticos vizinhos. O Islamismo é a religião predominante e vai do Oceano Atlântico pelo Oriente Médio, sul da Europa e através da Ásia até a Indonésia. É onde encontramos a predominância islâmica. E a predominância das religiões cristãs, vemos nestes países. Estão em azul. E essa é a maioria dos países na América e na Europa, muitos países na África e alguns poucos na Ásia. O branco aqui são os países que não podem ser classificados, porque uma única religião não atinge os 50 por cento ou há dúvida sobre os dados ou há qualquer outra razão. E fomos muito cuidadosos com isso. Então, paciência com nossa simplicidade agora quando levo vocês para esta imagem. Isto é em 1960. E indico o número de bebês por mulher aqui: dois, quatro ou seis -- muitos bebês, poucos bebês. E aqui a renda per capita, comparada em dólares.

A razão para isso é que muitas pessoas dizem que você tem que ficar rico antes que você tenha alguns bebês. Assim, baixa renda aqui, alta renda ali. E, de fato, em 1960, você tinha que ser um cristão rico para ter alguns bebês. A exceção era o Japão. O Japão aqui foi considerado como uma exceção. Do contrário, eram só países cristãos. Mas também havia muitos países cristãos que tinham de seis a sete bebês por mulher. Mas eles estavam na América Latina ou na África. E países com o Islamismo como religião predominante, todos eles tinham de seis a sete crianças por mulher, não importando o nível de renda. E todas as religiões orientais, exceto o Japão, tinham o mesmo nível. Agora vamos ver o que aconteceu no mundo. Dou partida ao mundo, e lá vamos nós. Agora 1962 -- conseguem ver que estão ficando um pouquinho mais ricos, e o número de bebês por mulher está caindo? Olhem para a China. Estão caindo bem rápido. E em todos os países de predominância muçulmana, através da renda, estão caindo, assim como nos países de maioria cristã, no nível de renda média. E quando entramos neste século, você encontrará mais da metade da humanidade aqui em baixo. E em 2010, somos na verdade 80 por cento de humanos que vivem em países com aproximadamente duas crianças por mulher.

(Aplausos)

É uma melhora espantosa o que aconteceu.

 (Aplausos)

 E estes são países que, dos Estados Unidos, aqui, com $40.000 per capita, França, Rússia, Irã, México, Turquia, Algéria, Indonésia, Índia até Bangladesh e Vietnã, têm menos de cinco por cento da renda per capita dos Estados Unidos e a mesma quantidade de bebês por mulher. Posso dizer-lhes que os dados sobre o número de crianças por mulher são surpreendentemente bons em todos os países. Nós os retiramos de dados do censo. Não são dados estatísticos duvidosos. Então, o que podemos concluir é que você não tem que ficar rico para ter poucas crianças. Isto aconteceu por todo o mundo. A seguir, olhamos para religiões, podemos ver que religiões orientais, de fato, não há um único país com a predominância dessa religião que tenha mais que três crianças. Enquanto que na predominância do Islamismo ou do Cristianismo, você vê países por todo lado. Mas não há grandes diferenças. Não há grandes diferenças entre essas religiões. Há uma diferença de renda. Os países que tem mais bebês por mulher aqui, têm renda bastante baixa. A maioria deles está na África subsahariana. Mas também há países aqui como Guatemala, Papua Nova Guiné, Iêmen e Afeganistão. Muitos pensam que o Afeganistão, aqui, e o Congo, que sofreram conflitos graves, não têm crescimento populacional acelerado. É o contrário. No mundo hoje, os países que têm as taxas de mortalidade mais altas são os que têm o crescimento populacional mais rápido. Porque a morte de uma criança é compensada por mais uma criança. Esses países têm seis crianças por mulher. Eles têm uma triste taxa de mortalidade de uma a duas crianças por mulher. Mas daqui a 30 anos, o Afeganistão irá de 30 para 60 milhões. O Congo irá de 60 para 120. É onde temos crescimento populacional acelerado. E muitos pensam que esses países estão estagnados, mas não estão. Deixem-me comparar Senegal, um país dominado por muçulmanos com um país dominado por cristãos, Gana. Aqui, voltei até a independência deles, quando estavam aqui em cima, no início dos anos 60. Apenas observem o que fizeram. É uma melhora impressionante, de sete crianças por mulher vieram para algo entre quatro e cinco. É uma melhora tremenda. Então, o que é necessário? Bem, sabemos muito bem o que é necessário nesses países. Você tem que ter crianças para sobreviver. Você tem que sair da pobreza mais profunda para que as crianças não sejam importantes para o trabalho na família. Você tem que ter acesso a algum planejamento familiar. E você precisa de um quarto fator, que talvez seja o mais importante. Mas, deixem-me ilustrar esse quarto fator, olhando para o Qatar. Aqui temos o Qatar hoje, e ali temos Bangladesh hoje. Se volto até o ano de independência desses países, que é quase o mesmo ano -- 71, 72 -- é bastante surpreendente a melhora que ocorreu. Olhem para Bangladesh e Qatar. Com rendas tão diferentes, é quase a mesma a queda no número de bebês por mulher. E qual é a razão no Qatar? Bem, fiz como sempre faço. Fui até a autoridade estatística do Qatar, na 'webpage' deles -- é uma 'webpage' muito boa. Eu a recomendo -- procurei -- oh, sim, você pode se divertir muito aqui -- e é livre de taxas, e encontrei as tendências socias do Qatar. Muito interessante. Muita coisa para ler. Encontrei a fertilidade no nascimento, e olhei para a taxa de fertilidade total por mulher. Estes são os estudiosos e especialistas na agência governamental do Qatar, e eles dizem que os fatores mais importantes são:
Aumento da idade no primeiro casamento, nível educacional mais elevado da mulher do Qatar e mais mulheres integradas na força de trabalho.

Eu não poderia concordar mais. A ciência não poderia concordar mais. Este é um país que de fato passou por uma modernização muito, muito interessante. Portanto, o que há são esses quatro: crianças devem sobreviver, crianças não devem ser necessárias para o trabalho, mulheres devem ser educadas e integrar a força de trabalho e o planejamento familiar deve ser acessível. Agora, olhe novamente para isto. A média do número de crianças no mundo é como na Colômbia -- é de 2,4 hoje. Há países aqui em cima que são muito pobres. E é onde é necessário planejamento familiar, melhor índice de sobrevivência das crianças. Recomendo enfaticamente a última TEDTalk de Melinda Gates. E aqui, embaixo, há muitos países que têm menos de duas crianças por mulher. Então, de volta para dar-lhes a resposta do quebra-cabeças, são dois. Atingimos o pico com as crianças. O número de crianças não está mais crescendo no mundo. Ainda estamos debatendo o pico com o petróleo, mas, definitivamente, atingimos o pico com as crianças. E a população mundial irá parar de crescer.

A Divisão para População das Nações Unidas disse que irá parar em 10 bilhões. Mas por que elas crescem se o número de crianças não aumenta? Bem, vou mostrar-lhes aqui. Vou usar estas caixas de papelão em que vieram seus cadernos. Elas são muito úteis para propósitos educacionais. Cada caixa de papelão representa um bilhão de pessoas. E há dois bilhões de crianças no mundo. Há dois bilhões de jovens entre 15 e 30. Estes são números arredondados. E há um bilhão entre 30 e 45, quase um entre 45 e 60. E, então, esta é minha caixa. Esta sou eu: 60+. Estamos aqui no topo. Portanto, o que acontecerá agora é o que chamamos "o grande abastecimento". Você pode ver que parecem faltar três bilhões aqui. Eles não estão faltando porque morreram; eles nunca nasceram. Porque, antes de 1980, havia muito menos pessoas nascidas do que durante os últimos 30 anos. Assim, o que acontecerá agora é bastante simples. Os idosos, infelizmente, nós morreremos. O restante, vocês ficarão mais velhos e terão dois bilhões de crianças. Então os idosos morrerão. O restante envelhecerá e terá dois bilhões de crianças. E, novamente, os idosos morrerão e vocês terão dois bilhões de crianças. 

(Aplausos)

 Este é o grande abastecimento. É inevitável. E podem ver que esse crescimento aconteceu sem que a vida ficasse mais longa e sem o acréscimo de crianças? A religião tem muito pouco a ver com o número de bebês por mulher. Todas as religiões do mundo são perfeitamente capazes de manter seus valores e de adaptar-se a este novo mundo. E seremos exatamente 10 bilhões neste mundo, se as pessoas mais pobres saírem da pobreza, suas crianças sobreviverem, elas tiverem acesso ao planejamento familiar. Isso é necessário. Mas é inevitável que seremos mais dois ou três bilhões. Portanto, quando você discute e quando você planeja para os recursos e a energia necessários para o futuro, para seres humanos neste planeta, você tem que planejar para 10 bilhões. Muito obrigado.

(Aplausos)


[Via BBA]
2 Comments
Disqus
Fb Comments

 
Leitura
pida