O poema "Quando eu Morrer", também escrito no final da vida de Mário, é na verdade um trecho sem título da coletânea Lira Paulistana, publicada postumamente. Fiel à sua cidade, o poeta quer permanecer nela, nesse poema-testamento. Vejam que nem nessa hora ele abre mão da ironia.

QUANDO EU MORRER
Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.
Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.
No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.
Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.
O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...
Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...
As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.
De Lira Paulistana























Bonita homenagem. :-D
Saudações!
Que Post Fantástico!
Amiga, uma homenagem impecável e belíssima!
Parabéns pela escolha...Um Poema magistral!
Parabéns pelo Post!
Abraços,
LISON.
Muito bom Gilene. Olhe o que eu achei revirando um baú de papéis amarelados pelo tempo:
Se eu tivesse um irmão
E esse brother fosse Mário,
Aceitaria com bondade;
De Andrade
Fosse porém esse irmão,
Registrado de Andrade,
Antes do nome, ao contário;
Mário
De Andrade, Mário, poeta;
Imortal, com Deus compondo,
Sempre e sempre o seu canto;
Santo
Se não tivemos o convívio,
Como explicar o vazio,
Que deixou Mario de Andrade?...
Saudade
(poeminhas sem dono, da Lira sem Pátria)
Leia mais: São Paulo e Mário de Andrade http://blog.brasilacademico.com/2010/01/sao-paulo-e-mario-de-andrade.html#ixzz0e39YaZ8J
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