Em 11 de agosto de 2026, a OpenAI confirmou que o ChatGPT passou a exibir anúncios no Brasil. Trinta e três anos antes, em 30 de abril de 19...
Versão 01
O anúncio dentro da resposta
No dia 11 de agosto de 2026, uma nota curta no site da OpenAI informou que o ChatGPT Ads havia sido lançado no Reino Unido, no México, no Brasil, no Japão e na Coreia do Sul (OPENAI, 2026). A empresa já vinha testando o formato nos Estados Unidos desde janeiro daquele ano, com uma promessa explícita no anúncio: os anúncios aparecem no fim da resposta e não influenciam o que o modelo diz.
Guarde a cena, porque ela é o fim de uma linha que começa numa proposta de trinta e poucas páginas escrita por um físico entediado. Em março de 1989, Tim Berners-Lee entregou à direção do CERN um documento chamado Information Management: A Proposal, sobre como organizar a documentação de um laboratório grande demais para caber na cabeça de alguém (BERNERS-LEE, 1989). O chefe dele escreveu à margem uma frase que virou lenda: "vago, mas empolgante". Quatro anos depois, em 30 de abril de 1993, o CERN abriu mão de todos os direitos de propriedade intelectual sobre o código da web e liberou o uso para qualquer pessoa (CERN, 2026).
Entre 1993 e 2026 a web deixou de ser um lugar onde se busca informação para ser um lugar onde a informação chega mastigada, sem que se precise sair dali. A pergunta que organiza esta postagem não é "o que vem depois da web 2.0", e sim: quando a resposta passa a ser entregue pronta, o que acontece com quem vivia de ser encontrado?
Para responder a isso sem cair no vocabulário das consultorias, vamos usar três conceitos que vêm da pesquisa acadêmica e que envelheceram muito bem. Eles aparecem em ordem nas seções seguintes, e cada um resolve um pedaço do problema.
Versão 02
Web 1.0: a web que só se lia
Ninguém chamava aquilo de "web 1.0" na época — o nome só existe porque veio um 2.0 depois. Mas a descrição é justa: entre 1993 e os primeiros anos 2000, a web era uma biblioteca com endereço. Alguém publicava, muita gente lia, e o caminho de volta era, na melhor das hipóteses, um endereço de e-mail no rodapé.
A arquitetura da comunicação era a mesma dos meios de massa: um emissor, um canal, muitos receptores. O que mudava era o custo de virar emissor. Publicar um jornal exigia gráfica; publicar uma página exigia um servidor e paciência com HTML. A web 1.0 não democratizou a fala, apenas barateou o palco — e um palco barato ainda é um palco com dono.
O contador de visitas foi a primeira métrica da internet. Media presença, não interesse — e ninguém sabia direito o que fazer com o número.
O marketing digital dessa fase é fácil de reconstruir porque ainda existe, fossilizado, em qualquer site institucional: o banner (comprado por mil impressões, herança direta do anúncio de página inteira), o portal (a home page como capa de revista) e a lista de e-mail. O clique era novidade suficiente para ser a métrica. Em 1998 entra em cena a peça que reorganizaria tudo: o Google, fundado em 4 de setembro daquele ano, transformou a navegação por diretórios em navegação por consulta. A partir dali, a pergunta comercial deixou de ser "como faço um site bonito" e passou a ser "como apareço quando alguém procura".
Aqui nasce o SEO, e vale registrar a genealogia: a otimização para buscadores é a primeira disciplina de marketing inteiramente definida por um intermediário privado — as regras eram de uma empresa, mudavam sem aviso e não estavam escritas em lugar nenhum. Vinte e cinco anos depois, o mesmo desenho se repetiria com os motores generativos.
Versão 03
Web 2.0: quem lê também escreve
O termo apareceu primeiro num lugar improvável. Em abril de 1999, a designer Darcy DiNucci publicou na revista Print um artigo chamado Fragmented Future, em que descrevia a web então existente como "um embrião" e previa uma web 2.0 que não estaria mais presa à tela do computador, aparecendo em telas de TV, painéis de carro e telefones (DINUCCI, 1999). A previsão era sobre dispositivos; o que se consagrou com o nome foi outra coisa.
Quem consolidou o sentido corrente foi Tim O'Reilly, em 30 de setembro de 2005, no ensaio What Is Web 2.0 (O'REILLY, 2005). Duas expressões dali sobreviveram a tudo: a web como plataforma e arquitetura de participação — a ideia de que o serviço funciona como intermediário inteligente que conecta as pontas e aproveita a força dos próprios usuários. Não é retórica: é a descrição exata do modelo de negócio que dominaria os vinte anos seguintes.
Wikipédia (2001), Orkut e Facebook (2004), YouTube (2005), Twitter (2006). Em cinco anos, o conteúdo passou a ser feito por quem antes só consumia.
Manuel Castells deu nome ao que estava acontecendo com a comunicação: a comunicação de massa autocomunicada — de massa porque alcança potencialmente uma audiência global, e autocomunicada porque o conteúdo é gerado, a emissão é dirigida e a recepção é selecionada pelos próprios sujeitos (CASTELLS, 2007). É a primeira vez na história dos meios em que as duas coisas coexistem no mesmo canal.
No marketing, a mudança de eixo foi brutal e ainda mal digerida: sai a compra de espaço, entra a disputa por atenção. Aparecem o marketing de conteúdo, o blog corporativo, a régua de e-mail, a otimização para busca orgânica e a primeira geração de métricas de engajamento. Aparece também o problema que nunca mais foi embora: quando o público produz o conteúdo, a marca perde o controle da narrativa e ganha, no lugar, a obrigação de participar da conversa.
Versão 04
Três palavras para o mesmo barulho
É aqui que os conceitos ganham utilidade prática. Eles não descrevem tecnologias; descrevem o que as pessoas fazem com elas — e é isso que sobra quando a moda técnica passa.
Cibercultura: o ambiente
Pierre Lévy define cibercultura como o conjunto de técnicas, práticas, atitudes, modos de pensamento e valores que se desenvolvem junto com o crescimento do ciberespaço, que ele descreve como o meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores (LÉVY, 1999). A definição é generosa de propósito: cabe nela desde o costume de responder mensagem em segundos até a expectativa de que tudo tenha uma versão digital.
O conceito que Lévy exporta para o resto do debate é o de inteligência coletiva: ninguém sabe tudo, todo mundo sabe alguma coisa, e o saber útil está distribuído. Guarde essa frase, porque ela reaparece, com outra roupa, quando falarmos de modelos de linguagem treinados na produção coletiva da internet.
Convergência: o movimento
Henry Jenkins abre Cultura da convergência com uma definição que vale decorar: o fluxo de conteúdos através de múltiplos suportes midiáticos, a cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e o comportamento migratório dos públicos, que vão a quase qualquer lugar em busca das experiências de entretenimento que desejam (JENKINS, 2009).
O ponto mais incompreendido do livro é este: convergência não é a fusão dos aparelhos num só, é a dispersão do mesmo conteúdo por muitos aparelhos. Quem esperava o "aparelho único" errou a previsão; quem entendeu que uma história passa a viver simultaneamente na série, no vídeo curto, no fórum e no meme acertou o modelo de negócio de duas décadas.
O público não escolhe uma tela: transita entre elas. Convergência é o nome desse trânsito, não da fusão dos aparelhos.
Rede social: a estrutura
Raquel Recuero oferece a definição mais econômica e mais operacional do conjunto: uma rede social é um conjunto de dois elementos — atores (pessoas, instituições ou grupos, os nós da rede) e suas conexões (interações ou laços sociais) (RECUERO, 2009). Repare no que a definição não diz: ela não menciona nenhum aplicativo. Rede social é a estrutura; o aplicativo é apenas o lugar onde ela se torna visível e mensurável — e, mais tarde, monetizável.
Versão 05
Plataformização: quando o lugar vira o dono
Em 9 de janeiro de 2007, Steve Jobs anunciou o iPhone; em 29 de junho ele chegou às lojas. A web deixou de ser um lugar aonde se vai e passou a ser um estado em que se está. Com o celular vieram as lojas de aplicativos, e com elas a mudança silenciosa que define a terceira versão da web: o conteúdo deixou de morar em endereços e passou a morar em contas.
Em 2018, dois trabalhos deram nome ao fenômeno. David Nieborg e Thomas Poell chamaram de plataformização a penetração das extensões econômicas e infraestruturais das plataformas online na produção, na distribuição e na circulação do conteúdo cultural (NIEBORG; POELL, 2018). No mesmo ano, José van Dijck, Thomas Poell e Martijn de Waal publicaram The Platform Society, descrevendo os três mecanismos que fazem uma plataforma funcionar: dataficação (transformar em dado tudo o que acontece), comodificação (transformar objetos, atividades, emoções e ideias em mercadorias negociáveis) e seleção (decidir, por classificação e algoritmo, o que cada um vê) (VAN DIJCK; POELL; DE WAAL, 2018).
Dataficação, comodificação e seleção: as três engrenagens giram juntas. Tirar uma delas desmonta o modelo de negócio inteiro.
Traduzindo para o cotidiano de quem faz comunicação: o alcance orgânico caiu porque a seleção passou a ser vendida. A segmentação ficou absurdamente precisa porque a dataficação registrou tudo. E o criador virou fornecedor de uma mercadoria contingente — que muda de valor quando a plataforma muda de regra, sem aviso e sem recurso.
A resposta institucional veio junto. No Brasil, a Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018, a LGPD, criou base legal, finalidade e direitos do titular para o tratamento de dados pessoais, com sanções administrativas em vigor a partir de agosto de 2021 (BRASIL, 2018). Do lado técnico, a promessa de acabar com os cookies de terceiros no Chrome atravessou anos de adiamentos até que, em 22 de abril de 2025, o Google anunciou que manteria a abordagem atual e não lançaria uma nova tela de escolha (CHAVEZ, 2025). O fim dos cookies de terceiros foi a mudança mais anunciada e menos executada da década — e quem se preparou para ela saiu ganhando assim mesmo, porque foi obrigado a construir base de dados própria.
Versão 06
A régua das quatro versões
Antes de entrar na quarta versão, vale ver a linha inteira de uma vez. Cada marco abaixo abre um painel com o que mudou na tecnologia, na cultura e na estratégia de comunicação. As cores separam três tipos de acontecimento.
1989
A proposta
Em março de 1989, Tim Berners-Lee entrega ao CERN o documento Information Management: A Proposal, descrevendo um sistema de hipertexto para organizar a documentação do laboratório. Em novembro de 1990, com Robert Cailliau, submete a proposta formal do projeto WorldWideWeb. Cultura: nenhuma ainda — o documento circula entre físicos. Marketing: inexistente; a rede é acadêmica e a publicidade é proibida na espinha dorsal da internet norte-americana.
Versão 07
A web das IAs: quando a resposta vem pronta
Em 14 de maio de 2024, no Google I/O, os AI Overviews começaram a aparecer no topo dos resultados de busca nos Estados Unidos; em agosto chegaram ao Brasil, e em 8 de setembro de 2025 o AI Mode passou a funcionar em português do Brasil (GOOGLE, 2024) (GOOGLE, 2025). A mudança parece cosmética — um parágrafo acima da lista de links — e não é.
O Pew Research Center mediu o efeito com dados reais de navegação de 900 adultos norte-americanos, coletados em março de 2025 (PEW RESEARCH CENTER, 2025). Em 18% das buscas apareceu um resumo de IA. E o comportamento diante da mesma página de resultados mudou conforme o resumo estivesse presente ou ausente.
Tabela 1 — Comportamento dos usuários em páginas de resultados do Google, com e sem resumo gerado por IA, Estados Unidos, março de 2025
| Comportamento na página de resultados | Sem resumo de IA | Com resumo de IA | Variação |
|---|---|---|---|
| Clicou em um link de resultado tradicional | 15 | 8 | -7 p.p. |
| Clicou em um link citado dentro do resumo | .. | 1 | .. |
| Encerrou a navegação sem clicar em nada | 16 | 26 | +10 p.p. |
Fonte: elaborado pelo autor com base em Pew Research Center (2025).Nota: percentuais sobre o total de visitas a páginas de resultados do Google, entre 900 adultos norte-americanos que autorizaram o compartilhamento de seu histórico de navegação; coleta em março de 2025. Variação em pontos percentuais calculada pelo autor.Sinal convencional utilizado: .. não se aplica, por não existir resumo de IA na condição sem resumo.
Metade dos cliques desapareceu, e um em cada quatro usuários fechou a busca sem ir a lugar nenhum. O resumo de IA não roubou o tráfego de um concorrente: ele encerrou a viagem antes do destino. Para um site que vive de audiência, isso é uma mudança de regime, não uma oscilação de algoritmo.
A lista de portas virou um texto. As fontes continuam ali — em letras menores, e sem a obrigação de serem abertas.
O Brasil não entra nisso de forma homogênea
A TIC Domicílios 2025, do Comitê Gestor da Internet no Brasil, mediu pela primeira vez o uso de IA generativa e encontrou 32% dos usuários de internet — cerca de 50 milhões de pessoas de 10 anos ou mais (COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL, 2025). O número agregado esconde o que interessa.
Uso de IA generativa entre usuários de internet, Brasil, 2025. Fonte: TIC Domicílios 2025 (CGI.br/NIC.br/Cetic.br).
Entre a classe A e as classes D e E há uma distância de 53 pontos percentuais. É a mesma desigualdade que a série do acesso à internet levou vinte anos para reduzir — e que agora recomeça um degrau acima, na apropriação da ferramenta.
Tabela 2 — Proporção de domicílios com acesso à internet, por área, Brasil — 2008, 2013, 2018, 2023 e 2025
| Ano | Total | Área urbana | Área rural |
|---|---|---|---|
| 2008 | 18 | 20 | 4 |
| 2013 | 43 | 48 | 15 |
| 2018 | 67 | 70 | 44 |
| 2023 | 84 | 86 | 74 |
| 2025 | 86 | ... | ... |
Fonte: elaborado pelo autor com base no indicador A4 da Pesquisa TIC Domicílios, CGI.br/NIC.br/Cetic.br, edições de 2008, 2013, 2018, 2023 e 2025.Nota: dados em percentual do total de domicílios particulares permanentes.Sinal convencional utilizado: ... dado não disponível na divulgação consultada.
Há ainda uma divergência que vale registrar, porque a imprensa costuma misturar as duas fontes: para 2025, a TIC Domicílios aponta 86% dos domicílios com internet, enquanto a PNAD Contínua TIC, do IBGE, aponta 95,0% (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2026). As metodologias e os questionários são diferentes; os números não são intercambiáveis.
Versão 08
O que muda, de fato, na estratégia
A tentação, diante de cada versão nova, é jogar fora o que funcionava. Quase nunca é o caso: a web não substitui suas camadas, ela as empilha — e-mail de 1993 ainda converte, SEO de 1998 ainda alimenta o próprio resumo de IA que parece competir com ele. O quadro abaixo é uma tentativa de mostrar o que efetivamente se desloca.
Quadro 1 — Deslocamentos da estratégia de comunicação digital, por versão da web
| Versão | O que o público faz | Onde o conteúdo mora | Métrica dominante | Tática central | Risco principal |
|---|---|---|---|---|---|
| 1.0 (1993-2004) | Lê | Em endereços próprios | Visitas e impressões | Banner, portal, lista de e-mail | Ninguém encontra o site |
| 2.0 (2004-2010) | Lê e publica | Em comunidades e blogs | Engajamento | Conteúdo, SEO, conversa | Perder o controle da narrativa |
| Plataformas (2010-2022) | Alimenta o feed | Em contas de terceiros | Custo por resultado | Tráfego pago, dados, influência | A regra mudar sem aviso |
| IAs (2022- ) | Pergunta | Dentro da resposta | Presença nas citações | Ser fonte citável e ter base própria | Existir e não ser mencionado |
Fonte: elaborado pelo autor com base em O'Reilly (2005), Jenkins (2009), Nieborg e Poell (2018), van Dijck, Poell e de Waal (2018) e Kotler, Kartajaya e Setiawan (2021).Nota: os períodos são aproximados e servem à comparação; as camadas convivem, não se substituem.
Otimizar para ser citado, não para ser clicado
Existe pesquisa formal sobre isso, e ela é anterior à popularização do assunto. Em 2023, um grupo de pesquisadores de Princeton, Georgia Tech, Allen Institute for AI e IIT Delhi propôs o termo Generative Engine Optimization e testou, em uma base de 10 mil consultas reais, quais alterações de texto aumentam a chance de uma fonte ser citada por um motor generativo; o trabalho foi apresentado na conferência KDD, em 2024 (AGGARWAL et al., 2024). O resultado mais citável do artigo é também o mais desconfortável para a indústria de SEO: as táticas que mais funcionam não são técnicas.
Segundo os autores, incluir citações de fontes, estatísticas e declarações de especialistas aumentou a visibilidade nas respostas generativas em até 40%, enquanto táticas herdadas do SEO clássico — repetição de palavras-chave, por exemplo — tiveram efeito nulo ou negativo. Escrever com fonte na mesa deixou de ser uma exigência acadêmica e virou uma vantagem de distribuição.
O que o motor generativo cita não é o texto mais otimizado: é o texto mais verificável. A diferença tem nome antigo — rigor.
Quatro deslocamentos concretos
- Do tráfego para a menção. Se um em cada quatro usuários encerra a busca sem clicar, parte do valor da sua comunicação passa a ser entregue sem visita. Isso exige medir aparição em resposta generativa, e não só sessões — e aceitar que a atribuição vai piorar antes de melhorar.
- Do dado alugado para o dado próprio. Com o rastreamento entre sites em xeque — por regulação, no caso da LGPD, e por decisão dos navegadores —, base própria, consentimento explícito e relacionamento direto voltam a ser ativos, e não burocracia.
- Do volume para a distinção. Quando produzir texto custa quase nada, produzir texto deixa de ser diferencial. Sobram dado primário, apuração, experiência real e ponto de vista — exatamente o que um modelo não consegue inventar sem alguém ter feito antes.
- Da audiência para a comunidade. Kotler, Kartajaya e Setiawan já defendiam em 2021 que a tecnologia só entrega valor quando devolve o elemento humano à relação (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2021). Num ambiente em que a resposta é automática, o contato que não é automático fica mais caro — e mais valioso.
Isso não é um manifesto contra a mídia paga. Ela segue crescendo: a publicidade digital brasileira somou R$ 42,7 bilhões em 2025, alta de 12,7% sobre o ano anterior, com as redes sociais respondendo por 55% do investimento (IAB BRASIL, 2026). E, do lado das organizações, 88% já relatam usar IA regularmente em ao menos uma função — embora apenas 6% consigam associar a ela um efeito relevante no resultado (MCKINSEY & COMPANY, 2025). A adoção é quase universal; o retorno, quase raro. É a distância entre usar a ferramenta e mudar o processo.
Canal próprio, canal alugado e canal citado. O terceiro é novo, e é o único em que não se compra posição — ainda.
Aplicação prática
Seis perguntas para o seu contexto
Vale para uma empresa, para um curso, para um projeto de extensão ou para um perfil pessoal. Marque conforme conseguir responder.
0 de 6 — comece descobrindo onde seu público está.
Próxima versão
A inteligência coletiva, devolvida em forma de resposta
Há uma simetria que fecha o texto. Lévy escreveu, no fim dos anos 1990, que ninguém sabe tudo, que todo mundo sabe alguma coisa e que o saber está distribuído pela humanidade — a inteligência coletiva. Trinta anos depois, sistemas treinados exatamente nesse saber distribuído devolvem-no em parágrafos bem escritos, sem indicar de quem era cada pedaço. A inteligência coletiva virou produto, e o coletivo virou base de treinamento.
Não é uma tragédia nem um milagre; é o mesmo movimento que já tinha acontecido antes. A web 1.0 barateou o palco, a 2.0 entregou o microfone, as plataformas cobraram pelo alcance e as IAs passaram a responder no lugar. Em cada versão, alguma coisa foi distribuída e alguma coisa foi concentrada, e a pergunta interessante nunca foi qual tecnologia venceu, e sim quem ficou com a chave.
Vale lembrar como isso terminou nas versões anteriores: o SEO nasceu como truque técnico e virou, com o tempo, a recomendação de escrever bem para pessoas. Tudo indica que o GEO fará o mesmo caminho, e mais rápido, porque a única tática comprovadamente eficaz do artigo original é a mais antiga do ofício — dizer coisas verificáveis e mostrar de onde vieram.
Se você perguntasse hoje a um assistente de IA sobre o seu trabalho, o seu curso ou a sua marca, o que ele responderia — e de que fonte ele tiraria essa resposta?
Nota do autor: as datas de fundação e lançamento das plataformas citadas na linha do tempo (Google, Wikipédia, Orkut, Facebook, YouTube, Twitter, iPhone) foram conferidas em fontes de referência e em cobertura contemporânea, mas não em documentos societários primários; onde a literatura registra mais de uma data para o mesmo evento — caso do YouTube, com fundação em fevereiro, primeiro vídeo em abril e saída do beta em dezembro de 2005 —, o texto adota a que melhor descreve o uso público do serviço. A proposta de 1989 de Berners-Lee traz no próprio documento a marcação "March 1989, May 1990"; a proposta formal coassinada com Robert Cailliau é de novembro de 1990, e as duas são frequentemente confundidas. O artigo de Darcy DiNucci teve sua existência, data e veículo confirmados, mas volume e paginação exatos vieram de registro de agregador acadêmico, não do impresso original. As definições de cibercultura, de ciberespaço e de rede social foram cotejadas com a paginação corrente das edições brasileiras citadas; recomenda-se conferir o exemplar antes de reproduzi-las como citação direta em trabalho acadêmico. Os três mecanismos de van Dijck, Poell e de Waal são apresentados aqui em tradução do autor. Sobre os números: os percentuais da TIC Domicílios e da PNAD Contínua TIC não são comparáveis entre si, por diferença de metodologia e de questionário, e por isso aparecem separados; a série da Tabela 2 foi montada pelo autor a partir das tabelas do indicador A4 de cada edição, pois não há série histórica consolidada em documento único. O dado de publicidade digital corresponde ao estudo Digital AdSpend do IAB Brasil com o Kantar IBOPE Media, ano-base 2025, e mede o investimento digital em valor absoluto — não a participação do digital no bolo publicitário total, que não foi apurada aqui. O estudo do Pew Research Center é norte-americano; não há, até a data desta postagem, medição equivalente publicada para o Brasil, e a transposição dos percentuais para o mercado brasileiro seria indevida. Por fim, o lançamento do ChatGPT Ads no Brasil consta como atualização datada de 11 de agosto de 2026 na própria página da OpenAI sobre o tema, sem que a empresa tenha divulgado, até o fechamento deste texto, dados de alcance ou de formato específicos para o mercado brasileiro.
Referências
- AGGARWAL, Pranjal et al. GEO: Generative Engine Optimization. In: ACM SIGKDD CONFERENCE ON KNOWLEDGE DISCOVERY AND DATA MINING, 30., 2024, Barcelona. Proceedings. Nova York: ACM, 2024. p. 5-16. DOI: 10.1145/3637528.3671900. Disponível em: https://arxiv.org/abs/2311.09735. Acesso em: 24 ago. 2026.
- BERNERS-LEE, Tim. Information management: a proposal. Genebra: CERN, 1989. Disponível em: https://www.w3.org/History/1989/proposal-msw.html. Acesso em: 24 ago. 2026.
- BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15 ago. 2018. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm. Acesso em: 24 ago. 2026.
- CASTELLS, Manuel. Communication, power and counter-power in the network society. International Journal of Communication, Los Angeles, v. 1, p. 238-266, 2007. Disponível em: https://ijoc.org/index.php/ijoc/article/view/46. Acesso em: 24 ago. 2026.
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- CHAVEZ, Anthony. Next steps for Privacy Sandbox and tracking protections in Chrome. Privacy Sandbox, Mountain View, 22 abr. 2025. Disponível em: https://privacysandbox.google.com/blog/privacy-sandbox-next-steps. Acesso em: 24 ago. 2026.
- COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL. Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nos domicílios brasileiros: TIC Domicílios 2025. São Paulo: CGI.br/NIC.br/Cetic.br, 2025. Disponível em: https://cetic.br/media/analises/tic_domicilios_2025_principais_resultados.pdf. Acesso em: 24 ago. 2026.
- DINUCCI, Darcy. Fragmented future. Print, Nova York, v. 53, n. 4, p. 32; 221-222, abr. 1999. Disponível em: https://www.darcyd.com/fragmented_future.pdf. Acesso em: 24 ago. 2026.
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- JENKINS, Henry. Cultura da convergência. Tradução: Susana Alexandria. 2. ed. São Paulo: Aleph, 2009.
- KOTLER, Philip; KARTAJAYA, Hermawan; SETIAWAN, Iwan. Marketing 5.0: tecnologia para a humanidade. Tradução: André Fontenelle. Rio de Janeiro: Sextante, 2021.
- LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução: Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999.
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- O'REILLY, Tim. What is Web 2.0: design patterns and business models for the next generation of software. O'Reilly Media, Sebastopol, 30 set. 2005. Disponível em: https://www.oreilly.com/pub/a/web2/archive/what-is-web-20.html. Acesso em: 24 ago. 2026.
- PEW RESEARCH CENTER. Google users are less likely to click on links when an AI summary appears in the results. Pew Research Center, Washington, DC, 22 jul. 2025. Disponível em: https://www.pewresearch.org/short-reads/2025/07/22/google-users-are-less-likely-to-click-on-links-when-an-ai-summary-appears-in-the-results/. Acesso em: 24 ago. 2026.
- RECUERO, Raquel. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2009. (Coleção Cibercultura).
- VAN DIJCK, José; POELL, Thomas; DE WAAL, Martijn. The platform society: public values in a connective world. Oxford: Oxford University Press, 2018.
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