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Existencialismo: Crash Course

Indicar:

Explore o essencialismo e a sua resposta para dar sentido ao mundo: O existencialismo.

Explore o essencialismo e a sua resposta para dar sentido ao mundo: O existencialismo.


O que dá sentido a sua vida? Deus? Amor? Dinheiro? Trabalho? Ficção? Futebol? Fazer compras? Sherlock? Talvez você tenha a sua própria acepção de proposito na sua vida, ou talvez você esteja esperando que este curso vá lhe ajudar a encontrar uma.



Ou você pode acreditar que você foi criado com uma certa essência como ser humano, com um propósito dado a você por Deus.

Qualquer que seja o caso, ninguém lhe culparia por querer que sua vida tenha sentido.

Um propósito é algo que todos desejamos - talvez até precisemos.

E como saímos de nossa unidade sobre a filosofia da religião, nós deveríamos gastar algum tempo conversando sobre como nós entendemos nossas vidas sendo significativas.

Por que quando pensamos sobre isso, muitos de nós dedicamos muita energia procurando sentido para nossas vidas.

Talvez você encontre-o através da religião, ou lutando por causas sociais, ou ensinando, ou buscando beleza na expressão artística.

Não importa como você o faça, existe um grupo de filósofos, os existencialistas, que dizem que qualquer uma dessas coisas pode dar sentido a sua vida.

Mas ao mesmo tempo eles dizem: Nenhuma delas pode.

[Música]

Como vocês já sabem, filosofia se trata do dialogo: Alguém cria uma ideia, então outra pessoa responde a ela.

Algumas vezes a resposta vem logo. Outras vezes ela demora milhares de anos.

De volta na Grécia antiga, Platão e Aristóteles diziam que tudo tinha uma essência.

Essência ➯ Um certo grupo de propriedades que são necessárias ou essenciais para algo ser aquilo que é.

Se tais propriedades não existem, então aquilo deve ser algo diferente.

Por exemplo, uma faca pode ter um cabo de madeira ou de metal - não importa realmente.

Mas se ela não tiver uma lamina ela não seria mais uma faca.

A lamina é uma propriedade essencial da faca, porque da a ela sua função definitiva.

Agora, Platão e Aristóteles pensavam que tudo tinha uma essência - incluindo nós.

E eles também acreditavam que nossa essência existe antes mesmo de nós termos nascido.

Logo, por essa lógica, parte do significado de ser um bom humano é aderir a sua essência.

Agora, você pode ou não saber o que é sua essência, e talvez você seja ótimo vivendo pela sua essência, ou talvez você seja horrível nisso.

Mas o importante é que sua essência te dá um propósito. Isso porque você nasceu para ser esse algo.

Essa crença, conhecida como essencialismo, era a visão padrão do universo até o final do século XIX, e ela ainda é aceita por muitas pessoas hoje.

Mas no final do século XIX, alguns pensadores começaram a contestar a ideia de que nós possuímos uma essência ou propósito.

O filosofo Alemão Friedrich Nietzsche, por exemplo, adotou o niilismo, a crença na falta de sentido da vida.

Mas na metade do século XX as portas haviam sido abertas para o pensador francês Jean-Paul Sartre retomar essa questão da essência e perguntar: E se nós existimos primeiro? E se nós nascemos sem nenhum propósito definido? E se nosso trabalho encontrar nossa própria essência? Bem, isso se tornou a base para o que hoje chamamos de existencialismo.

E esse mantra clama que:

“Existência precede essência.”

Em outras palavras, nossa existência - nosso nascimento - acontece primeiro.

Então, é o trabalho de cada um de nós determinar quem nós somos.

Nós temos que criar nossa própria essência através da forma que escolhemos viver.

Mas nós não temos nenhum propósito real e pré-determinado - não existe um caminho que devemos seguir.

É difícil expressar o quão radical essa ideia era naquele tempo.

Porque, durante milhares de anos, você não tinha que escolher um caminho ou encontrar um propósito.

Deus fazia isso para você.

Mas é importante notar que existencialismo não é sinônimo de ateísmo.

Muitos existencialistas eram ateístas, mas alguns eram teístas, como Kierkegaard.

O que existencialistas teístas negavam era qualquer tipo de teleologia - isso é, eles não aceitavam a ideia de que Deus fez o universo, ou nosso mundo, ou nós, com qualquer propósito em mente.

Então, Deus pode existir - mas estimular você, ou a vida, ou o cosmos, com significado - isso não faz parte do seu trabalho.

Como resultado, nós nascemos em um universo em que nós, e nosso mundo, e nossas ações, não possuem nenhuma importância inerente.

Esse é o componente fundamental do existencialismo.

E seus adeptos se referem a isso como “O absurdo”.  Você e eu pensamos em absurdo como algo que seja idiota, ou ridículo.

Mas para os existencialistas, absurdo é um termo técnico.

Absurdo ➱ É como eles descrevem a procura por respostas em um mundo sem elas.

Nós somos criaturas que necessitam de sentido, mas nós estamos abandonados em um universo sem nenhum.

Então nós clamamos na imensidão, mas não recebemos resposta alguma.

Mas nós continuamos gritando, de qualquer forma.

Isso, para um existencialista, é a definição de absurdo.

Sendo que não existe teleologia, o mundo não foi criado com um propósito, e ele não existe por razão alguma.

E como não há razão para nada disso, então não existe algo absoluto para nos sustentarmos: Não há justiça cósmica, equidade, ordem, regras.

Agora, o existencialismo surgiu no final do século XIX com pensadores como Kierkegaard e Nietzsche. Mas ele realmente começou durante e após a segunda guerra mundial, com os horrores do Holocausto que fizeram muitas pessoas abandonarem suas crenças em um mundo ordenado.

E quem pode culpá-los?

Quando o nazismo começou, foi muito mais difícil encontrar um significado.

Mas Sartre encarou a falta de sentido com sua cabeça levantada e explorou um dos mais agonizantes aspectos do existencialismo.

Não a falta de significado no mundo. Mas sua assustadora abundância de liberdade.

Para a maioria de nós, liberdade parece algo muito bom.

Mas Sartre pensou que nós somos incrivelmente, assustadoramente livres.

Afinal, se não há um caminho para nossas ações, então cada um de nós é forçado a criar nosso próprio código moral, a inventar nossa moralidade para viver.

Sartre utilizou essa ideia para dizer que nós “estamos condenados a sermos livres”, um destino que ele descobriu ser um pouco medonho.

Você talvez pense que existe alguma autoridade que possa lhe dar respostas, mas todas as que você possa pensar são autoridades falsas, dizia Sartre.

Você pode fazer o que seus pais mandam, ou o que a igreja diz, ou o que o governo fala para você fazer mas Sartre dizia que essas autoridades são, na verdade, somente pessoas como você.

Pessoas que não possuem nenhuma resposta, pessoas que tiveram que descobrir por si mesmas como viver.

Então a melhor coisa que você pode fazer seria viver autenticamente Sartre queria dizer que você deve aceitar todo o peso de sua liberdade a luz do absurdo.

Você deve reconhecer que qualquer sentido que sua vida tenha foi dado por você.

E se você decidir simplesmente ignorar isso e seguir um caminho que alguém determinou por você - seja seu professor, seu governo, ou sua religião - então você tem o que é chamado de má fé, a recusa de aceitar o absurdo.

Se você vive por má fé, você esta enterrando sua cabeça na areia e fingindo que algo tem sentido - sentido que você não deu.

O que nos leva para o nosso momento da filosofia da semana.

Vamos para a bolha do pensamento.

Sartre explicou essas ideias através de uma anedota sobre um de seus alunos, que encarava uma difícil decisão.

Esse jovem rapaz possuía um dilema em sua vida.

Ele podia se juntar as forças militares durante o período da guerra e lutar por uma causa que ele acreditava.

E ele queria fazer isso. Ele pensava ser o certo.

Mas ele também possuía uma mãe idosa que vivia sozinha, por exceção dele.

Se ele fosse para a guerra, ele a deixaria só.

E isso parecia errado.

Então ele podia ficar com ela e deixar os outros lutarem pela justiça.

Ou ele podia ir para a guerra, deixar sua mãe por conta própria, e provavelmente nunca vê-la novamente.

Esse jovem rapaz possuía um senso de dever para ambos, sua causa e sua mãe, mas ele podia servir apenas a um.

Além de que, se ele fosse para a guerra, ele seria apenas uma pequena parte de uma grande realidade.

Sua contribuição provavelmente não seria grande, mas ele estaria contribuindo para algo que afeta milhões de pessoas.

Mas se ele ficasse, ele faria uma enorme diferença na vida de apenas uma pessoa.

Obrigado bolha do pensamento.

Então, qual a resposta? Sartre dizia que toda discussão sobre a decisão desse rapaz, na realidade, mostrava que ninguém poderia lhe dar uma resposta.

De fato, não há uma resposta, até o homem decidir por si mesmo.

Nenhuma teoria moral podia ajudá-lo a decidir-se, porque ninguém mais poderia levar-lhe para uma decisão realmente autêntica.

Então, sua escolha - não importa qual fosse - era a única verdadeira, sendo que ele a fez de forma autêntica, porque isso foi determinado pelos valores que ele decidiu aceitar.

Muitas pessoas pensam que o existencialismo prega uma imagem triste do mundo.

De fato, o filósofo e escritor francês Albert Camus foi além e disse o significado literal de sentido da vida é qualquer coisa que você faça que lhe impeça de se matar.

Mas muitos existencialistas irão lhe lembrar que o mundo, sua vida, pode ter sentido, mas somente se você criar um.

Se o mundo é inerentemente sem propósito, você pode escolher ter o propósito que achar melhor.

Logo, ninguém pode lhe dizer que sua vida não tem sentido por você não ter filhos ou por você não seguir um carreira lucrativa, ou ter atingido os padrões que seus pais esperavam de você.

E isso funciona não somente na escala individual, mas também na escala global.

Se o mundo vai ter coisas que a maioria de nós damos valor - como justiça e ordem - nós vamos ter que coloca-las por nós mesmos.

Pois, de outra forma, essas coisas não existiriam.

Então, uma visão que parece triste para alguns, pode ser para outros animadora.

Espero que hoje vocês tenham apreciado tanto quanto eu apreciei aprender sobre essencialismo e sua resposta: existencialismo.

Falamos sobre Jean-Paul Sartre e suas ideias sobre encontrar significado em um mundo sem o mesmo.

Fonte: Crash Course
[Visto no Brasil Acadêmico]

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