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O Século do Eu - Legendado em português

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Documentário mostra como as teorias de Sigmund Freud, Anna Freud (sua filha), e Edward Bernays (seu sobrinho) foram usadas por governos e em...

Documentário mostra como as teorias de Sigmund Freud, Anna Freud (sua filha), e Edward Bernays (seu sobrinho) foram usadas por governos e empresas multinacionais para controlar e manipular as massas.


Com base nos conhecimentos de psicanálise de seu tio, Edward Bernays desenvolveu a longo do século passado as mais variadas técnicas de manipulação de massas, desde convencer as mulheres a fumarem, associando o ato de fumar à emancipação feminina, ou, usar o inconsciente humano apelando à sua irracionalidade para desenvolver a sociedade de consumo em que vivemos atualmente.

Entenda como a sua vida é afetada pela propaganda e como os governos e empresas usam estas técnicas para conseguir os seus objetivos, quer sejam políticos ou comerciais.


Episódio 1 - Máquinas de Felicidade



O conteúdo das legendas (cortesia www.opensubtiles.org) do filme (episódio 1 - Máquinas de Felicidade):
A 100 anos atrás, uma nova teoria sobre a natureza humana foi divulgada por Sigmund Freud.
Ele dizia ter descoberto forças primitivas, sexuais e agressivas ocultas no fundo das mentes de todos os seres humanos.
Forças que, se não controladas levariam indivíduos e sociedades ao Caos e à destruição Esta série é sobre como os poderosos têm usado as teorias de Freud para tentar controlar as perigosas multidões em uma era de democracia de massa.
Mas o centro da história não é somente Sigmund Freud mas também sobre outros membros da família Freud.
Este episódio é sobre o sobrinho americano de Freud, Edward Bernays. Bernays é quase desconhecido hoje em dia, mas ele é quase tão importante para o século 20 quanto o seu tio.
Porque Bernays foi a primeira pessoa a pegar as idéias de Freud sobre seres humanos, e usá-las para manipular as massas. Ele mostrou às corporações americanas, pela primeira vez, como elas poderia fazer as pessoas quererem coisas que elas não precisam ao associar bens de consumo aos seus desejos inconscientes.
Disto viria uma nova idealização política de como controlar as massas. Ao satisfazer os desejos egoístas das pessoas, se pode fazê-las felizes, e portanto, dóceis. Foi o começo do "eu" consumista que viria a dominar o nosso mundo moderno.

Parte um - Máquinas de felicidade As idéias de Freud sobre o funcionamento da mente humana hoje são aceitas pela sociedade. Assim como a Psicanálise. Todo ano o baile dos psicoterapeutas tem lugar em um grande palácio de Viena. Este é o baile dos psicanalistas.
Vêem psicanalistas, alguns pacientes mais avançados, antigos pacientes, e muitas outras pessoas.
Amigos, mas também pessoas da sociedade vienense que gostam de vir para um baile agradável e elegante.
Mas não foi sempre assim.

Cem anos atrás, as idéias de Freud eram odiadas pela sociedade Vienense. Naquela época Viena era o centro de um vasto império que controlava a Europa central. E para a poderosa nobreza da corte dos Habsburg, as idéias de Freud eram não somente embaraçosas, mas a própria ideia de examinar e analisar os sentimentos de alguém era uma ameaça ao seu controle absoluto. Veja bem, naquela época essas pessoas tinham o poder e é claro que você não poderia mostrar sua intimidade.

Quer dizer, simplesmente não podia. Sabe, se você está triste, imagine você fica em algum lugar do país, em um castelo, está profundamente deprimida, você é uma mulher; você não pode ir até sua criada e chorar em seus ombros, você não pode ir até o vilarejo e reclamar de seus sentimentos, É como se entregar para alguém, você não pode. Entende? Porque eles têm que te respeitar. Então, claro, o Freud.

Ele questionou muito essas idéias veja, pra se examinar você teria que colocar muitas outras coisas em questão, a sua sociedade, tudo que o cerca, isso não era uma coisa boa, naquele tempo.
Porque não? Porque o seu império auto-gerado, em certo ponto se quebraria muito rapidamente.
Mas o que amedrontava ainda mais os governantes do império era a idéia de que haviam perigosos impulsos ocultos dentro dos seres humanos.
Freud desenvolvera um método que chamava de Psicanálise. Analisando sonhos e associações livres que ele dizia revelarem poderosas forças agressivas e sexuais que eram remanescentes de nosso passado animal.
Sentimentos que reprimimos porque são perigosos demais. Freud desenvolveu um método para explorar a parte oculta da mente que nós hoje em dia chamamos de inconsciente.
Esta parte é desconhecida para nossa consciência. Porque existe uma barreira na mente de todos nós que evita que essas impulsos ocultos e desagradáveis do inconsciente venham à tona. Em 1914 o império Austro-húngaro levou a Europa à guerra.
Freud viu a escalada de horror; como uma terrível evidência da verdade em suas descobertas.
O mais triste, ele escreve, é que isso é exatamente como deveríamos esperar que as pessoas fizessem, conforme nosso conhecimento de psicanálise. Governantes tinham liberado as forças primitivas nos seres humanos e ninguém parecia saber como pará-las.
Na época, o sobrinho de Freud, Edward Bernays, trabalhava como assessor de imprensa na América.
seu principal cliente era o famoso cantor de opera, Caruso que fazia turnê nos Estados Unidos.
Os pais de Bernays tinham migrado para a América 20 anos antes, mas ele manteve contato com seu tio, com quem se encontrava para ferias nos alpes.
Mas Bernays estava para voltar à Europa por um motivo muito diferente. Na noite em que Caruso estrelou em Toledo, Ohio, A America anunciou que entraria em guerra contra a Alemanha e Austria.
Como parte do esforço de guerra, o governo americano preparou um comitê de divulgação e Bernays foi contratado para promover os objetivos da guerra da América na imprensa. O presidente Woodrow Wilson tinha anunciado que os Estados Unidos lutariam; não para restaurar os antigos impérios; mas para levar democracia a toda a Europa.

Bernays mostrou extremamente hábil ao promover estas ideias tanto em casa quanto além. E ao fim da guerra foi convidado a acompanhar o presidente à Conferência de Paz em Paris. E pra minha surpresa ele me pediu pra ir com Woodrow Wilson à conferência de paz. E com 26 anos.

Eu estavam em Paris em tempo integral para a conferência de paz que aconteceu no subúrbio de Paris.
Nós trabalhamos para fazer o mundo seguro para a democracia. Esse era o grande slogan. A recepção de Wilson em paris surpreendeu Bernay e os outros propagandistas americanos. A propaganda deles mostrava Wilson como um libertador. O homem que criaria um novo mundo no qual o indivíduo seria livre.
Eles o fizeram um herói das massas.

E quando eles viu a multidão surgir em torno de Wilson, Bernays começou a se perguntar como seria possível fazer o mesmo tipo de sugestão de massas, mas em época de paz Quando eu voltei para os Estados Unidos, eu pensei: se você pode usar a propaganda para a guerra certamente também pode usa-la para a paz.
A propaganda se tornou um palavrão por causa dos Alemães que a usavam O que eu fiz foi tentar descobrir outras palavras. Daí encontramos a expressão Assessoria de Relações Públicas". Bernays retornou para Nova lorque e instalou-se como conselheiro de relações públicas em um pequeno escritório na Broadway.
Foi a primeira vez que o termo tinha sido usado.

Desde o fim do século 19, a América se tornou uma sociedade industrial massiva com milhões instalados juntos nas cidades. Bernays estava decidido a encontrar uma forma de controlar e alterar o jeito que estas novas massas pensavam e sentiam. Pra isso ele se voltou para os escritos de seu tio Sigmund.
Quando em Paris, Bernays mandou para o seu tio como presente, charutos cubanos.
Freud retribuiu com uma cópia de seu "Introdução geral à psicanálise".
Bernays o leu e a imagem de forças irracionais ocultas dentro dos seres humanos, o fascinou.
Ele se perguntou como poderia fazer dinheiro com manipulação do inconsciente.
O que Eddie pegou de Freud, na verdade foi essa idéia, de que há um monte de coisas envolvidas nas decisões humanas.

Não somente entre indivíduos, mas principalmente entre grupos é ainda mais importante essa idéia de que informações dirigem o comportamento. Então Eddie começou a formular essa idéia ao buscar por coisas que tocariam as emoções irracionais das pessoas. Perceba que isso imediatamente transformou Eddie em uma pessoa de categoria bem diferente das outras em seu campo e de muitos oficiais e governantes, e administradores da época que pensavam que se você desse às pessoas todas as informações factuais eles olhariam e diriam: "Oh, é claro"! E Eddie sabia que não era assim que o mundo funcionava.
Bernays preparou experências com as mentes das classes populares. Seu mais dramático experimento foi persuadir mulheres a fumarem.

Naquela época havia um tabu contra mulheres fumantes E um de seus primeiros clientes, George Hill, presidente da corporação americana de tabaco pediu a Bernays que encontrasse um jeito de quebrar esse tabu. Estamos perdendo metade de nosso mercado, ele disse. Porque os homens têm usado o tabu contra mulheres que fumam em público.

Você pode ajudar nisso? Eu disse, me deixe pensar. E então eu disse: Se eu puder consultar um psicanalista e descobrir o que os cigarros significam para as mulheres. Ele disse: "quanto vai custar"? Então eu chamei o Dr. Brill Abraham Arden Brill, era o principal psicanalista de Nova lorque na época.

Porque não chamou seu tio? Porque ele estava em Vienna.
Abraham Arden Brill era um dos primeiros psicanalistas da América.E por um preço salgado, ele disse a Bernays que os cigarros eram o símbolo do pênis e do poder do sexo masculino. Ele disse a Bernays que se ele conseguisse um jeito de associar os cigarros à ideia de desafiar o poder masculino as mulheres iriam fumar, porque elas teriam o próprio pênis.

Todo ano, Nova lorque é sede de um grande evento na páscoa onde comparecem milhares de pessoas.
Bernays decidiu armar um cenário ali. Ele convenceu um grupo de ricas debutantes a esconder cigarros sob as roupas. Elas então deveriam se juntar à parada e ao sinal de Bernays elas acenderiam os cigarros teatralmente.

Bernays então informou à imprensa que ele tinha ouvido falar de um grupo de sufragistas preparavam um protesto com o que elas chamavam de "tochas da liberdade". Ele sabia que haveria protesto e sabia que todos os fotógrafos estariam lá para capturar o momento Por isso ele usou a frase "tochas da liberdade".

Então você tem aqui um símbolo, mulheres, jovens, debutantes, fumando o cigarro em público, com uma frase que significa que qualquer um que acredite neste tipo de igualdade têm que apoia-las, na busca do debate, Porque eram "tochas da liberdade"! Quer dizer, o que há nas nossas moedas americanas? É Liberdade ela está segurando uma tocha, entende? E você junta tudo isso, e há a emoção, há a lembrança, e há uma frase racional, mesmo apesar de estar usando muita emoção, é uma frase que trabalha em um sentido racional, e tudo isso junto.

Então, no dia seguinte isso não só estava em todos os jornais de Nova lorque estava por todos os Estados Unidos, e mundo afora. E dali em diante, a venda de cigarros para as mulheres começou a crescer.
Ele os fez socialmente aceitáveis, com um simples ato simbólico. O que Bernays criou, foi a idéia de que se uma mulher fuma isso a faz mais poderosa e independente. Uma idéia que persiste até hoje.

"Embrace me, my sweet embraceable you." Isso o fez perceber que é possível persuadir as pessoas a se comportarem irracionalmente se você associa produtos aos seus desejos e sentimentos mais emocionais.
A ideia de que fumar faz as mulheres mais livres, é completamente irracional. Mas isso as fez sentirem-se mais independentes.

O que significa que coisas irrelevantes podem se tornar fortes símbolos emocionais de como você quer ser visto pelos outros. Eddie Bernays viu uma maneira de comercializar que não é vender para o seu intelecto, como se você precisasse comprar um automóvel, mas que você se sentiria melhor se você tivesse este automóvel.

Acho que ele deu origem a essa ideia, de que eles não estão somente comprando alguma coisa eles estão se comprometendo pessoal e emocionalmente com aquele produto ou serviço.
Não que você pense que precisa de uma nova peça de roupa mas que você se sentirá melhor com aquela peça. Essa é realmente a contribuição dele. Nós vemos isto hoje em todos os lugares, mas eu acho que ele criou a idéia, a conexão emocional entre a um produto ou serviço.

O que Bernays estava fazendo, fascinava as corporações americanas. Eles tinham saído da guerra ricos e poderosos, mas eles tinham uma preocupação crescente. O sistema de produção em massa floresceu durante a guerra mas então, milhões de produtos estavam saindo das linhas de produção.
O que eles temiam era o perigo da superprodução, que chegaria a um ponto em que as pessoas tivessem produtos o suficiente e simplesmente parariam de comprar.
Até aquela época, a maioria dos produtos ainda eram vendidos às massas como uma necessidade.
Enquanto os ricos há muito tinham acostumado a produtos de consumo, para os milhões de trabalhadores americanos a maioria dos produtos ainda eram divulgados como necessidades Belos sapatos, meias mesmo carros eram vendidos em termos funcionais, e pela durabilidade.
O objetivo dos comerciais era simplesmente mostrar às pessoas o valor prático dos produtos, nada mais.
O que as corporações perceberam que tinham de fazer era mudar a maneira que a maioria dos americanos pensava dos produtos.
Um grande banqueiro de Wall Street, Paul Mazer, do Lehman Brothers, estava convencido do que era necessário.
"Devemos mudar a América", ele escreve, "de uma cultura de necessidade para uma de desejos".
As pessoas precisam ser treinadas para desejar, para querer coisas novas mesmo antes de acabar de consumir as antigas. Devemos moldar uma nova mentalidade na América. Os desejos de um homem devem eclipsar suas necessidades. Antes daquela época não havia o "consumidor americano", havia o "trabalhador americano".
E havia o "proprietário americano". E eles fabricavam, eles poupavam, e eles comiam o que tinham feito, e as pessoas trocavam pelo o que precisavam. E enquanto os ricos, compravam coisas supérfluas, coisa que a maioria das pessoas não fazia. E Mazer visualizou um ruptura nisto, onde você teria coisas que não precisa realmente, mas que você quer, em vez de precisar. E o homem que estaria ao centro desta mudança de mentalidade entre as corporações, era Edward Bernays.

Bernays era, nos EUA, mais do que qualquer outro, quem colocou á mesa a teoria psicológica como algo essencial para que as corporações tivessem um jeito de apelar efetivamente às massas.
E todo tipo de estabelecimentos de propaganda e de vendas ficou pronto para Sigmund Freud.
Quero dizer, estavam prontos para entender o que motiva a mente humana.
Então houve esta abertura para o uso das técnicas de Bernays para vender produtos para as massas.
A partir do início dos anos 20, os bancos de Nova lorque fundaram cadeias de lojas de departamento, por toda a América.

Eles seriam a saída para produtos de massa. E o trabalho de Bernays era produzir o novo tipo de consumidor. Bernays começou a criar muitas das técnicas de pesuasão de consumidores em massa com as quais agora nós convivemos. Ele foi contratado por William Randolph Hurst para promover sua nova revista femininina e Bernays a glamourizou, ao colocar artigos e propagandas que associavam os produtos feitos por seus clientes e outros a estrelas do cinema como Clara Bow, que também era sua cliente.
Bernays também começou a inserir propaganda em filmes, e vestia as estrelas dos Iançamentos de filmes com roupas e jóias de outras firmas que representava.

Ele dizer ser a primeira pessoa a dizer às companhias fabricantes de carros que poderiam vender carros como símbolo da sexualidade masculina. Ele contratou psicólogos para escreverem artigos que diziam que produtos seriam bons pra as pessoas fazendo de conta que eram estudos independentes.
Ele organizou desfiles em lojas de departamentos e pagou celebridades para repetir a mensagem nova e essencial: você compra as coisas não somente por necessidade, mas para expressar sua personalidade aos outros.

Há uma psicologia do vestir, já pensaram nisso? Como isso pode expressar sua personalidade? Todos vocês têm personalidades interessantes, mas algumas ficam ocultas.
Porque vocês iam querer vestir as mesmas coisas, com os mesmos chapéus, e casacos? Tenho certeza que vocês todos são interessantes e têm coisas maravilhosas em si, mas quando os vejo na rua, todos parecem iguais.

É por isso que estou explicando aqui, sobre a psicologia do vestir. Experimente expressar-se melhor através das roupas. Isso faz aparecerem coisas que vocês não vêem. Será que vocês já pensaram na sua personalidade por esse ângulo?

- Eu gostaria de fazer uma pergunta.
- Porque você gosta de roupas curtas? Ah, porque aparece mais.
- Aparece mais, é? - Porque isso Ihe faz bem? Faz ficar mais atraente.

Faz? Em 1927, um jornalista americano escreveu que "uma mudança acontece em nossa democracia", É o que chamamos consumismo. A principal importância dos cidadãos americanos, para o seu país não é mais a da cidadania, mas a do consumismo.

A crescente onda de consumismo alavancou uma explosão das ações. E, novamente, Edward Bernays estava envolvido. Divulgando a idéia de que pessoas comuns devem comprar ações, levando dinheiro aos bancos, que ele também representava. E, de novo, milhões seguiram sua propaganda.

Ele tinha um conhecimento único sobre como pessoas, em grande número, reagiriam a produtos e ideias.
Mas em termos políticos, se ele tivesse de se destacar.
Não consigo imagina-lo fazendo com que três pessoas o escutem! Ele não era muito articulado, tinha um jeito engraçado, e não tinha tato para alcançar as pessoas, individualmente.

Não mesmo. Ele não conversa, não pensa nas pessoas como indivíduos, ele pensa nas pessoas como grupos, milhares. Bernays ficou logo famoso como o homem que entende a mente das massas.

E em 1924, o Presidente o contratou. O Presidente Coolidge era um homem muito quieto e taciturno, e se tornara uma piada nacional. A imprensa o retratava como retraído e mal humorado. A solução de Bernays foi exatamente a mesma que ele tinha para os produtos. Convenceu 34 estrelas de cinema a visitar a Casa Branca, e pela primeira vez, a política se mesclou às relações públicas. E eu juntei aquelas 34 pessoas e disse, "qual o seu nome"? e ele disse "Al Jolson".

Eu dizia: "Sr. presidente, Al Jolson".

No dia seguinte, todos os jornais dos EUA tinham na primeira página: "Presidente Coolidge recebe atores na Casa Branca.
O título no Times diz: "O Presidente quase riu", e todos estavam felizes. Mas enquanto Bernays se tornava rico e poderoso na América, em Vienna, seu tio estava diante de uma tragédia. Como boa parte da Europa, Viena sofria uma crise econômica, e grande inflação que consumiu as economias de Freud. Diante da falência, ele escreveu ao sobrinho, pedindo ajuda.

Bernays respondeu, fazendo com que os trabalhos de Freud fossem publicados pela primeira vez na América, e enviando ao seu tio dinheiro que Freud manteve secretamente em uma conta bancária no exterior. Ele era "agente" de Freud se me permite dizer, ao publicar seus livros. É claro, quando os livros estavam sendo publicados, Eddie não faria outra coisa que não promover esses livros.

Veja que todo mundo os leu, os fez polêmicos; enfatizou o lado do "você sabe o que Freud diz sobre sexo?" e o que ele pensa de cigarros como um símbolo, e por aí vai. De onde você acha que veio isso tudo? Certamente, não eram os acadêmicos divulgando isto, era Eddie Bernays. Quando Freud começou a ser aceito, bem, é claro, ele ia ao cliente e ia ao tio Siggy, então havia alguma receptividade.

Mas veja bem, primeiro Eddie criou o Tio Siggy nos EUA, depois o fez aceitável, e em terceiro, capitalizou o tio Siggy. Típico desempenho de Bernays. Bernays também sugeriu a Freud que se promovesse nos EUA. Ele propôs ao tio escrever um artigo para a Cosmopolitan, revista que Bernays representava, chamado "O estado mental das mulheres no lar". Freud ficou furioso. Tal ideia, disse, era impensável, era vulgar, e, além do mais, ele odiava a América.

Freud se tornava cada vez mais pessimista em relação aos seres humanos. Ele se retirou no verão em meados dos anos 20 ficando às vezes em um antigo hotel, a pensão "Moritz", em Berchtesgaden. Atualmente são ruínas.

Freud começou a escrever sobre o comportamento em grupo; sobre quão facilmente forças agressivas do inconsciente dos seres humanos podem ser disparadas, quando estão em grupos.
Freud acreditava ter subestimando os instintos agressivos dos seres humanos; Eles seriam muito mais perigosos do que tinha pensado originalmente. Depois da primeira guerra, Freud ficou muito pessimista.
Ele sentia que o homem era uma criatura incorrigível e muito, muito sádico e uma espécie ruim Não acreditava que o homem pudesse evoluir. O homem é um animal feroz, o mais feroz que existe.

Eles gostam de torturar e matar e não gosta do homem. A publicação dos trabalhos de Freud na América teve um efeito extraordinário nos jornalistas e intelectuais dos anos 20. O que os fascinou, e aterrorizou foi a imagem pintada por Freud, de perigosas forças submersas ocultas logo abaixo da superfície da sociedade moderna.

Forças que poderiam explodir facilmente, produzindo frenesi nas multidões com poder suficiente para destruir mesmo governos. É isto que ele acreditava ter acontecido na Rússia.

Para muitos isso significa que um dos princípios básicos da democracia estava errado; a crença de que se pode confiar em seres humanos para tomar decisões de maneira racional. O influente escritor político Walter Lippman dizia que se os seres humanos são na verdade guiados por forças irracionais do inconsciente então precisariamos re-pensar a democratia. Era necessário uma nova elite que poderia controlar o que eles chamavam de a "fera adormecida".

Isso seria feito através de técnicas psicológicas que controlariam os sentimentos inconscientes das massas.
Então, você tem Walter Lippman, provavelmente o mais influente pensador político dos Estados Unidos, que dizia que o mecanismo básico da mentalidade das massas é irracional, é a selvageria.
Ele acreditava que o povo nas ruas, que é como via as pessoas comuns, são pessoas guiadas não pelas suas mentes, mas por seus instintos. A ideia de instintos animais, inconscientes, logo abaixo da superfície da civilização.

Então, eles começaram a buscar por uma ciência psicológica como forma de entender os mecanismos pelo qual a mente popular funciona com o objetivo de buscar o possível entendimento e a aplicação esses mecanismos em estratégias de controle social.
Edward Bernays ficou fascinado com os argumentos de Lippman e viu uma maneira de usa-los para se promover.

Nos anos 20, ele começou a escrever uma série de livros com os quais clamava ter desenvolvido as técnicas que Lippman tinha proposto. Estimulando os desejos das pessoas, e associando-os com produtos de consumo ele criava uma nova maneira de controlar a força irracional das massas. Ele a chamou de "A engenharia do consentimento". A Democracia, para o meu pai era um conceito maravilhoso, mas não acho que ele via todas aquelas pessoas como tendo um julgamento confiável, e eles poderiam muito facilmente votar na pessoa errada, ou querer a coisa errada; por isso eles tinham de ser guiados a partir de cima.

De certa forma, como por déspotas esclarecidos. Você apela aos seus desejos e carências não reconhecidas, esse tipo de coisa. Então você chega aos seus mais íntimos desejos ou aos mais profundos medos, e os usa para seus propósitos.

E em 1928, chegou ao poder um presidente que concordava com Bernays. Presidente Hoover foi o primeiro político a articular a ideia de que o consumismo se tornaria o motor da vida americana.
Depois de sua eleição, ele disse a um grupo de publicitários: "vocês devem superar o trabalho de criar desejos e transformar as pessoas em máquinas de felicidade ambulantes". "Máquinas que se tornarão a chave do progresso econômico".

O que começou a surgir nos anos 20, foi uma nova idéia de como lidar com a democracia de massa Ao centro estava o sujeito do consumo, que não somente faz a economia funcionar mas que também era feliz e dócil, criando assim uma sociedade estável. O conceito elaborado por Bernays e Lippmann's para controlar as massas transformar a ideia de democracia em um paliativo.

De certa forma, a transforma em dar às pessoas algum tipo de medicamento que responderá a anseios ou dores imediatas mas não altera as circunstâncias objetivas. A noção fundamental de democracia, é sobre mudar as relações de poder que dominaram o mundo por tanto tempo; e o conceito de Bernays de democracia, é de manter as relações de poder, mesmo isso significando, na prática, precisar estimular as vidas psicológicas do público.

De fato, ele achava que isso era necessário Que se você pode continuar estimulando o lado irracional então os líderes podem continuar fazendo o que querem fazer. Bernays se tornara uma das figuras centrais em uma elite dos negócios que dominou a política e a sociedade americana nos anos 20.
E também ficou extremamente rico vivendo numa suíte em um dos mais caros hotéis de Nova York; onde ele frequentemente dava festas. Oh, céus, ele morava na suíte de esquina do hotel "Sherry Netherland"! E cá está essa incrível suíte com todas aquelas janelas mostrando o central park, e o plaza, e o square, e ele usava esse lugar pra dar festas! O prefeito ia, os chefes da mídia iam, lideranças políticas, dos negócios, artistas; Quer dizer, era um "quem é quem".

Pessoas queriam conhecer Bernays porque ele mesmo ficou um homem famoso, um tipo de mago que fazia as coisas acontecerem. Ele conhecia todo mundo, ele conhecia o prefeito e conhecia o senador e telefonava para políticos,. É como se ele gostasse de fazer o que fazia, e isso é bom, mas isso torna as coisas um pouco difíceis para as pessoas em volta Principalmente quando você faz as outras pessoas se sentirem estúpidas. As pessoas que trabalhavam pra ele eram estúpidas, as crianças eram estúpidas, e se as pessoas fizessem algo diferente dele, e que ele não tivesse feito ainda, elas eram estúpidas. É uma expressão que ele usava sempre, sempre: "não seja estúpido".
- E quanto ao povo? - Era estúpido.
Mas o poder de Bernays' estava para ser dramaticamente destruído e por um tipo de racionalidade que ele não podia controlar de forma alguma. Em outubro de 1929 Bernays organizou um grande evento nacional para celebrar o 50º aniversário da lâmpada. O Presidente Hoover, os líderes das grandes corporações, e banqueiros como John D Rockefeller foram todos convidados por Bernays, para celebrar o poder do "American Business".
Mas antes que eles percebessem, chegaram notícias de que as ações da bolsa de Nova York estavam começando a cair catastroficamente. Nos anos 20, especuladores tomaram emprestado bilhões de dólares.
Os bancos tinham divulgado a idéia de que esta era uma nova era em que "crashs" no mercado eram coisas do passado. Mas eles estavam errados. Estava para acontecer a maior quebra do mercado de ações, na história. Investidores entraram em pânico e começaram a vender com tal nervosismo que nenhuma garantia dos banqueiros ou políticos pôde controlar.

E em 29 de outubro de 1929, o mercado ruiu. O efeito do crash na economia Americana foi desastroso.
Diante da recessão e desemprego, milhões de trabalhadores Americanos pararam de comprar produtos que não precisavam. A explosão de consumo que Bernay tanto fez para construir, desapareceu. E ele e a profissão de relações públicas saíram de cena. O breve momento de poder de Bernays, parecia ter acabado.
O efeito da quebra de Wall Street na Europa também foi catastrófico. Ele intensificou a crescente crise econômica e política nas novas democracias. Tanto na Alemanha quanto na Áustria, houveram violentos levantes nas ruas entre alas armadas de diferentes partidos políticos.

Diante destes cenário, Freud, que sofria de câncer na boca, se retirou novamente para os Alpes. Ele escreveu um livro chamado "Civilização e descontentamento". Era um poderoso ataque à ideia de que a civilização era uma expressão do progresso humano. Em vez disso, dizia Freud, civilização na verdade era construída para controlar perigosas forças primitivas dentro dos seres humanos.
Estava implícito no argumento de Freud que o ideal de liberdade individual que era o coração da democracia, era impossível. Seres humanos nunca podem realmente se expressar, porque isto é perigoso demais. Eles devem sempre ser controlados, e portanto, sempre descontentes. O homem não quer ser civilizado e a civilização traz descontentamento, mas é necessário á sobrevivência.

De outra forma, não se pode sobreviver é preciso ficar insatisfeito, porque essa é a única maneira de nos manter sob controle. Mas o que Freud pensava sobre a ideia de igualdade entre os homens? Ele não acreditava nisto. Nós tínhamos 32 partidos, e Hitler disse: "enquanto esses partidos não sumirem, não haverá Alemanha" É verdade, você não pode ter 32 partidos então eles disseram: "essa é a pessoa que vai dar um fim nessa.  -"comédia!"
Freud não estava sozinho em seu pessimismo. Políticos como Adolf Hitler surgiram de uma crescente desesperança em 1920, com a democracia. Os Nazis achavam que a democracia era perigosa porque libertava um egoísmo individualista e não havia meios de controlá-lo. O partido de Hitler, O "Nacional Socialista", propagavam nas eleições que abandonariam a democracia por causa do Caos e desemprego que ela causava. Em março de 1933, os Nacional-socialistas foram eleitos na Alemanha e tentaram criar uma sociedade que contraria os seres humanos de uma maneira diferente.

Um dos seus primeiros atos foi tomar as rédeas dos negócios. O planejamento da produção seria, no futuro, feito pelo Estado. O livre-mercado era instável demais, como provara o Crash na America O lazer dos trabalhadores seria também controlado pelo Estado através de uma nova organização chamada "Força no lazer". Um de seus slogans era: "Trabalho, não eu". Mas os Nazistas não veem isso como um retorno a uma velha forma de controle autocrático. Era uma nova alternativa à democracia, na qual os sentimentos e desejos das massas ainda estariam ao centro, mas seriam canalizadas de tal forma a unir a nação.
O destacado chefe deste projeto era Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda.

Goebbels organizou grandes comícios cuja função era mostrar como forjar a mente da nação como uma unidade de pensamento, sentimento e desejo. Uma de suas inspirações, ele disse a um jornalista Americano era os artigos do sobrinho de Freud, Edward Bernays.

Em seu trabalho sobre psicologia de massas, Freud descrevia como a assustadora irracionalidade dos seres humanos poderia emergir em tais grupos. As profundas forças libidinais de desejo são entregues ao líder enquanto instintos agressivos são liberados nos que estão fora do grupo. Freud escreveu isto como um aviso, mas os Nazistas estavam deliberadamente estimulando estas forças porque acreditavam que poderiam doma-las e controla-las. Freud dizia que as massas se unem por forças libidinais. Elas se amam, e delegam suas ideias e sentimentos ao que se destaca. O que são forças libidinais? Bem, forças do amor.
Não são ódio? Não.
Ódio? Este é delegado aos outros, aos de fora. A multidão.
Eu via de longe, olhando entre as árvores como haviam centenas de milhares de pessoas, quando passavam por Hitler.Elas estavam completamente delirantes e elas começavam a gritar, esses clamores que nunca esquecerei, "Heil! Sieg Heil!" e foi quando eu tive a confirmação de como essas forças irracionais incontroláveis na Alemanha, entre os Alemães, ela explodiu, foi despejada estava correndo solta onde o partido marchava, onde havia a marcha.

Na América também a democracia estava sob ameaça das forças de multidoes furiosas O efeito da quebra da bolsa tinha sido desastroso. Houve violência crescente quando uma população furiosa jogou esta frustração contra as corporações que pareciam ter causado o desastre. Mas em 1932, foi eleito um novo Presidente que também usaria o poder do estado para controlar o livre mercado. Mas seu objetivo não era destruir a democracia, mas fortalece-la. Para isto ele desenvolveria uma nova maneira de lidar com as massas. Estou preparado, em minha função constitucional para solicitar o tratamento que uma nação ferida, em um mundo ferido fazem necessários.

Mas, como a emergência nacional é crítica não posso fugir da importante tarefa que tenho de realizar.
Pedireu ao congresso pelo único instrumento que resta para enfrentar a crise: o aumento do poder do executivo. Era o início do que ficou conhecido como "New Deal". Roosevelt juntou um grupo de jovens tecnocratas e planejadores de Washington. Ele os disse que seus trabalhos seriam planejar e administrar gigantescos novos projetos industriais pelo bem na nação. Roosevelt achava que a quebra da bolsa de valores mostrara que o capitalismo "laissez Faire" não servia mais às modernas economias industriais.
Isso seria trabalho do governo. O empresariado ficara horrorizado, mas o New Deal tinha atraído a admiração dos Nazistas, especialmente Joseph Goebbels. Mas apesar de Roosevelt, assim como os nazistas estar tentando organizar a sociedade de maneira diferente, diferente dos Nazistas, ele acreditava que os seres humanos eram racionais e poderiam ser confiáveis, para tomar parte ativa no governo.
Roosevelt acreditava ser possível explicar suas políticas aos americanos comuns e levar em conta suas opiniões.

Para isto, ele teve ajuda de novas ideias de um cientista social americano chamado George Gallup. A leitura favorita na Washington do New Deal, e vista geral da opinião pública. De escritórios em Princeton, Nova Jersey, um famoso estatístico: Dr. George Gallup, leva a Washington semanalmente, os pensamentos da nação. E o analista da New York Fortune, Emo Roper, compila, para publicação e arquivo contínuo das aprovações ou reprovações em relação à maneira de administrar o país. Gallup e Roper rejeitaram a visão de Bernays de que os seres humanos estavam a mercê de forças inconscientes por isso precisariam ser controlados.
O sistema de consulta à opinião pública era baseado na ideia de que se poderia confiar nas pessoas, para saber o que elas queriam. Eles diziam que se poderia prever e mensurar a opinião e o comportamento do público se fossem feitas perguntas estritamente factuais, evitando manipular suas emoções.
Bem, e quanto a esta? Você acha que o "New Deal" de Roosevelt está sendo ruim para o país? Não, essa está muito carregada. Já sugere automaticamente uma resposta.

E assim? Em relação ao Presidente Roosevelt, você em geral, o apóia, ou desaprova? Está melhor! Antes das entrevistas sérias, a visão de muitas pessoas era que não se poderia confiar na opinião pública, que era irracional; era mal-informada, era caótica, teimosa, e por aí vai.

E por isso estas opiniões deveriam ser desconsideradas. Mas com pesquisas mais sérias, Eu acho que ficou demonstrado claramente que as pessoas são racionais, que elas tomam boas decisões, e isso oferece à democracia a chance de ser realmente informada pelo público dando voz a todos, na maneira com que o país é administrado.
Eu sei que meu pai não diria necessariamente que a voz do público é a voz de Deus, mas ele sentia fortemente que a voz do povo é racional, e deve ser ouvida. Roosevelt estava forjando uma nova conexão entre as massas e os políticos. Não mais eles seriam consumidores irracionais manipulados com fomento de seus desejos em vez disso, eles eram Cidadãos sensíveis que tomariam parte na administração do país.

Em 1936, Roosevelt concorre à reeleição. Ele prometeu maior controle sobre o mundo dos negócios. Para as corporações, isso era o começo de uma ditadura. Roosevelt interfere na iniciativa privada ele está levando o país às dívidas. Para recuperar, é preciso deixar os negócios em paz. Mas Roosevelt foi reeleito, triunfantemente. Parece, meus amigos, uma vitória esmagadora.

Por isso, permitam-me agradecê-los de novo e dizê-los que espero vê-los em breve, e desejo afetuosamente, uma boa noite! Diante disto, o empresariado resolveu revidar, para recuperar o poder na América. Ao centro da batalha estaria Edward Bernays, e a profissão que ele inventou: relações públicas.

Depois daquele discurso; o empresariado começou a se juntar, e debater, inicialmente em privado, e depois conversando entre si sobre a necessidade de deflagrar uma guerra ideológica contra o "New Deal".
E para refirmar o tipo de ligação entre o ideal de democracia de um lado e o ideal de negócios privados do outro. Então, sob a proteção de uma organização ainda existente chamada "Associação Nacional dos Artesãos" e cujos membros incluíam grandes corporações dos EUA; foi Iançada uma campanha projetada explicitamente para criar laços emocionais entre o público e o mundo dos negócios. São as técnicas de Bernays, usadas em grande escala. Eu diria, com força total. A parada do Progresso da General Motors Viajando pelas estradas principais e secundárias da América. Alcançando milhões de Americanos em suas cidades de origem. A fascinante história por trás da indústria moderna.

A campanha tentava dramaticamente mostrar que eram os negócios, não os políticos, que tinham criado a moderna América. Bernays era um conselheiro da GM, mas ele não estava mais sozinho A indústria que ele fundara florescia na forma de centenas de contratados para relações públicas, organizando uma vasta campanha. Eles não somente usavam propaganda e anúncios mas armavam para insinuar suas mensagens nas páginas editoriais dos jornais. Se tornou uma luta feroz. Em resposta à campanha, o governo fez filmes que avisavam sobre a manipulação inescrupulosa da imprensa pelo mundo dos negócios o principal vilão era a nova figura do profissional de relações públicas.

Eles tentam alcançar seus objetivos trabalhando por trás das cortinas corrompendo e desprezando o povo.
Os objetivos de tais grupos podem ser bons ou maus dependendo do que é de interesse público, mas seus métodos são um grande perigo para as instituições democráticas. Os filmes também mostravam como cidadãos responsáveis poderiam monitorar a imprensa. Eles poderiam criar uma cartilha que analizava as reportagens, procurando sinais de vieses ocultos. Mas estas instruções não seriam páreo para a poderosa imaginação de Edward Bernays Ele estava para ajudar a criar a visão utópica de que o capitalismo de livre mercado moldaria a América, se fosse libertado. Em 1939 Nova lorque receberia a Feira Mundial. Edwar Bernays seria o principal consultor. Ele insistiu para que o tema fosse a ligação entre a democracia e os Negócios na América.

No meio da feira estava um domo branco gigante, que Bernays chamou de "Democra-city" e ao centro da mostra estava um vasto modelo de futuro para a América construído pela GM. Para o meu pai, a Feira Mundial foi uma oportunidade de manter o status quo. Ou seja, o capitalismo em uma democracia; democracia e capitalismo, essa união. Ele fez isso manipulando as pessoas, e levando-as a pensar que você não teria uma democracia real em qualquer outra sociedade que não a capitalista que seria capaz de fazer qualquer coisa; de criar essas maravilhosas estradas, de fazer filmes para todo mundo, ou telefones sem manivelas, ou carros confortáveis.

Era consumismo mas era sugerido, ao mesmo tempo, de uma maneira divertida, que a democracia e capitalismo vêm juntos. A feira mundial foi um extraordinário sucesso, capturando a imaginação da América.
Foi apresentada a visão de uma nova forma de democracia na qual os negócios responderiam à maioria dos desejos das pessoas de uma maneira que os políticos nunca poderiam faze-lo.
Mas era um tipo de democracia que dependia de tratar as pessoas não como cidadãos ativos, como o fez Roosevelt, mas como consumidores passivos. Por que isso, acreditava Bernays era a chave para controlar a democracia de massa. Não que as pessoas estivessem no controle mas que os 'desejos ' das pessoas estariam no controle.

As pessoas não estariam no poder as pessoas não tinham poder de decisão neste ambiente. Então, a Democracia é reduzida de algo que assume o cidadão ativo à ideia do povo como consumidores passivos guiados primeiramente por desejos instintivos e inconscientes Nisso, se você puder, na verdade ativar estas necessidades e desejos, você consegue o que quer deles. Mas esta batalha entre duas percepções dos seres humanos sobre se seriam racionais ou irracionais estava para ser imensamente afetada por eventos na Europa. Eventos que mudariam os destinos da família Freud. Em março de 1938 os nazistas anexaram a Áustria.

No que foi chamado de "Anschluss" Hitler chegou em Viena para uma extraordinária exibição de adulação de massas mas enquanto ele dirigia pela cidade, por trás das cenas, os Nazistas eram sistematicamente derrotados e disparavam o ódio da multidão contra os inimigos da grande Alemanha.
A Anschluss foi um tipo de explosão de um ódio terrível contra os inimigos, os chamados inimigos ou o que eles consideravam como inimigos, principalmente contra os Judeus e também contra muitos austríacos que se opuseram aos Nazistas na Áustria.

Eles diziam que seria legítimo, você poderia fazer o que quisesse, então eles faziam roubar e matar, e furtar.
-Eu não pude mais ficar lá; a loucura humana, é claro.
Quase perto, muito perto do comportamento normal, as coisas podiam se transformar muito rápido.
Enquanto a violência e assassinatos aumentavam, Freud decidiu deixar Viena.
Ele queria ir para a Inglaterra, mas sabia que a Inglaterra, assim como muitos países estava recusando a entrada da maioria dos refugiados Judeus. A ajuda veio do principal psicanalista Inglês, Ernest Jones.

Ele era do mesmo clube de esqui do Secretário de Estado, Sir Samuel Hall, e Jones convenceu Hall a conseguir para Freud permissão para trabalho. Em maio de 1938, Freud, sua filha Anna e outros membros de sua família mudaram para Londres. Freud chegara em Londres quando a Inglaterra se preparava para a guerra e ele se mudou com sua filha Anna para uma casa em Hampstead. Mas o câncer de Freud estava avançado demais. E em setembro de 1939, três semanas depois do início da guerra, ele morreu.
A segunda guerra transformaria inteiramente a maneira que os governos viam a democracia e as pessoas que ela governava.

No próximo episódio vamos mostrar como o governo Americano, como resultado da guerra se convenceu de que haviam perigosas e selvagens forças ocultas nos corações dos seres humanos. Forças que precisavam ser controladas. A terrível prova, os campos de extermínio, pareciam mostrar o que acontecia quando estas forças eram liberadas. E políticos e administradores da América pós-guerra, passariam a crer que sob a superfície de sua própria população estavam as mesmas forças perigosas.

E eles se voltaram para família Freud para ajudar a controlar este inimigo interno e sempre versátil.
Edward Bernays trabalharia não somente para o governo Americano, mas para a CIA. E a filha de Freud, Anna, também se tornaria poderosa nos EUA porque ela acreditava que as pessoas poderiam ser ensinadas a controlar as forças irracionais dentro delas. Disto viriam amplos programas de governo para administrar a vida psicológica das massas.

Episódio 2 - A Engenharia do Consentimento



Episódio 3 - Há um policia dentro das nossas cabeças e devemos destruí-lo



Episódio 4 - Oito pessoas bebendo vinho



[Via BBA]

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