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Alberto Dines em entrevista ao Roda Viva

O jornalista Alberto Dines, atualmente responsável pelo site Observatório da Imprensa, que discute o trabalho dos jornalistas, falou ao Roda Viva no dia 19/3. Aos 80 anos, 60 deles atuando na profissão, ele fala sobre a imprensa atual e as mudanças provocadas pelo desenvolvimento tecnológico.


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Dines falou sobre a imprensa nos dias de hoje e das mudanças provocadas pelo surgimento de novas tecnologias. Ex-editor chefe do Jornal do Brasil, o jornalista escreveu mais de 15 livros. Entre eles, O Papel do Jornal, uma das mais lembradas obras acadêmicas da área. Sobre a profissão, ele afirma que o jornalismo deveria ser estudado como ciência e feito como arte.

Eugênio Bucci (Professor/ECA-USP): Sobre a sua formação, você não completou a faculdade embora tenha sido professor visitante de Columbia e logo começou a dar aula na PUC. É professor até hoje, gosta de ser professor, escreve sobre o casamente entre o ensino e a prática da profissão. Está fazendo 80 anos esta semana o economista Paulo Singer. E você são contemporâneos ali de formação, participavam da mesma organização na adolescência de inspiração socialista... sionista-socialista, e dali você vai para essa paixão pelo cinema e tudo. Como era a militância naquele tempo? Era o quê? Anos 40?

Alberto Dines: Fim dos anos 40. E sobretudo... Era um partido anti-burguês. A juventude do partido que criou o Estado de Israel. partido trabalhista. minha casa era uma casa de social-democratas. Meu pai era social-democrata. Na Rússia. Então eu tenho essa formação elementar.

Por isso (risos) eu lamento que no Brasil social-democracia não signifique nada, seja usado assim de uma forma... Mas a minha formação foi essa, foi de trabalho. Nós decidimos parar de estudar porque o diploma era um símbolo da burguesia.

Eu fui fazer um curso de tratores numa escola de agronomia. Depois trabalhei numa oficina de automóveis.

Sobre o diploma de jornalismo

Todo esse meu empenho no papel do jornal, sobre o diploma [de jornalista], é um pretexto para defender a profissão. Porque existem pessoas que até hoje, e eu cito nominalmente o meritíssimo Gilmar Mendes, ex-presidente do STF, que disse no seu voto, para justificar sua denúncia ao diploma, ele disse que jornalismo não é profissão e compara com chefe de cozinha.

Eu acho isso inominável. Ele tem que pedir desculpas não apenas ao jornalista mas também à história. Ele está esquecendo 2 mil anos de jornalismo. Porque no Senado Romano já tinha as atas diurnas. Actas Diurna. E tinha os diurnali. Que eram os jornalistas que escreviam as atas. Então a profissão exite. E ele não pode cometer essa leviandade de fazer blague com uma coisa séria.

Acta Diurna é o título do primeiro jornal conhecido. Sua criação foi uma iniciativa do líder e general romano Júlio César em 69 a.C., tendo como objetivo divulgar os principais acontecimentos da então República. Através de tábuas fixada nos muros das principais localidades, incluindo a residência do pontífice - cargo político-religioso então exercido por Júlio César. [Fonte: Wikipedia]

Apresentado por Mario Sergio Conti, o Roda Viva trouxe para a bancada Tereza Cruvinel (jornalista, ex-presidente da TV Brasil e ex-colunista de política); Manuel Alceu Affonso Ferreira (advogado); Laura Capriglione (repórter especial do jornal Folha de S.Paulo); Maria Cristina Fernandes (editora de política do jornal Valor Econômico) e Eugênio Bucci (professor da Universidade de São Paulo). O Roda Viva também teve a participação do cartunista Paulo Caruso.

[Via BBA]
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