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A história dos eletrônicos

Indicar:

Por que não vale a pena consertar nossos produtos eletrônicos e como isso pode estar afetando a saúde do planeta (e a sua).

Por que não vale a pena consertar nossos produtos eletrônicos e como isso pode estar afetando a saúde do planeta (e a sua).


Lembre-se: os bugs que ocorrem no X-Box e no PlayStation 3 (3 luzes vermelhas da morte e luz amarela da morte, como são conhecidos os problemas, respectivamente) podem ser causados por soldas livres de chumbo, uma exigência das leis ambientais modernas, que a indústria pode ainda não saber implementar a contento (talvez por má-fé, para economizar com o projeto e transferir o problema para o consumidor, vá saber) ilustra bem o quanto essa questão é abrangente.



A seguir, a transcrição do texto falado no vídeo:
Esta é uma história sobre um mundo obcecado por consumo.
Esta é uma história sobre um sistema em crise. Estamos sujando o planeta, estamos sujando nós mesmos, e não estamos nem nos divertindo com isso.
O lado positivo é que quando começamos a entender o sistema
Começamos a notar várias maneiras de transformar estes problemas em soluções
A HISTÓRIA DOS ELETRÔNICOS – POR QUE “PROJETAR PARA O LIXO” É TÓXICO PARA AS PESSOAS E PARA O PLANETA
Outro dia, eu não consegui achar o carregador do meu computador
Meu computador é algo essencial para meu trabalho, meus amigos e minhas músicas
Então procurei em todos os lugares
Até mesmo na gaveta onde isto está guardado
Eu sei que você também tem uma, amontoada de carregadores velhos,
A triste lembrança dos eletrônicos antigos.



Como eu pude chegar ao ponto de ter esse monte de tralha?
Não é porque eu estou sempre em busca do acessório mais atualizado,
Mas porque meus aparelhos antigos quebraram ou tornaram-se tão obsoletos que não pude mais usá-los
E nenhum destes carregadores antigos serve para o meu computador
Argh! Isto não é apenas má sorte.
Isto é um projeto ruim
Eu chamo de “projetado para o lixo”
Projetado para o lixo parece loucura, não é?
Mas quando você tenta vender um monte de produto, isso faz muito sentido.
É uma estratégia de vendas das companhias que fabricam nossos eletrônicos.
Na verdade é uma parte essencial dessa nossa insustentável economia de materiais.
Projetar para o lixo significa fabricar coisas para serem jogadas fora rapidamente.
Os eletrônicos de hoje são difíceis de se atualizar, fáceis de quebrar, e praticamente impossíveis de consertar.
Meu DVD quebrou e eu levei para uma loja para ser consertado.



O rapaz da loja queria $50 só para dar uma olhada nele! Enquanto que um DVD novo custava $39.


Nos anos 60, Gordon Moore, o grande gênio e pioneiro dos semicondutores, Previu que os projetistas de eletrônicos poderiam dobrar a velocidade de processamento a cada 18 meses. E ele estava certo.
Esta é chamada a Lei de Moore.
Mas de alguma forma os chefes destes projetistas entenderam tudo isso de forma errada.
Eles entenderam que a Lei de Moore significava que a cada 18 meses nós temos que jogar fora nossos eletrônicos antigos E comprar novos. O problema é que os 18 meses que nós usamos nossos produtos são quase nada comparados ao tempo de vida deles.



E é por isso que os projetistas do lixo não estão apenas causando danos ao nosso bolso.
Eles estão causando uma emergência global de poluição!
Veja, os eletrônicos começam onde a maioria das coisas começam: nas minas e fábricas
Muitos dos nossos aparelhos são feitos com mais de 1000 materiais diferentes,
Vindos de todas as partes do mundo para as montadoras. Lá, os trabalhadores os transformam em produtos
Usando um monte de químicos poluentes, como PVC, mercúrio, solventes e retardadores de chama.


Hoje em dia, isso comumente acontece nos lugares que são difíceis de averiguar.
Mas isso costumava acontecer perto da minha casa, no Vale do Silício,
Onde graças à industria dos eletrônicos é uma das comunidades mais poluídas
Nos EUA os arquivos da IBM mostraram que os trabalhadores que fabricam chips de computador tiveram 40% mais abortos e tiveram muito mais mortes por câncer do cérebro, do sangue e do rim do que o normal.
A mesma coisa está começando a acontecer no resto do mundo assinalando que a indústria de alta tecnologia não é tão limpa quanto parece.
Então, depois que os poluentes viajam ao redor do globo, o aparelho produzido chega nas minhas mãos, eu utilizo este aparelho por um ano ou mais e ele começa a se afastar dos antigos lugares de honra, como minha mesa ou meu bolso.
Talvez até ele passe um tempo na minha garagem antes de ser finalmente jogado fora.
E isso nos traz ao fim do ciclo, no qual pensamos ser o final da vida do aparelho.
Mas na verdade ele é apenas trazido para se integrar a uma das montanhas de e-lixo que produzimos todos os anos.

Se lembra como os eletrônicos eram embalados com químicos poluentes? Bem, existe uma regra bem simples da produção: "Poluição entra, poluição sai".
Computadores, celulares, Tvs, todos estes aparelhos estão apenas esperando para liberar todas suas toxinas
Quando jogamos eles fora.
Alguns deles estão até mesmo liberando estes poluentes devagarzinho enquanto os usamos.
Sabe aquelas antigas e gordas Tvs que as pessoas estão trocando por Tvs com alta definição e tela fininha?
Cada uma delas tem cerca de 2,5 Kg de chumbo. Chumbo! Aquele mesmo que pode intoxicar!
Quase todos estes e-lixo ou vão parar num aterro ou são levados pelos mares até a garagem de um cara em Guiyu, na China, cujo trabalho é reciclar ela. Eu visitei um monte destas “operações de reciclagem”.
Trabalhadores, sem equipamentos de proteção, sentam no chão, quebram os eletrônicos para recuperar os mais valiosos metais que estão dentro deles e simplesmente se livram ou queimam as partes que ninguém comprará. (Nota do Editor: veja também Brasil recebe restos high-tech dos EUA)



Então enquanto eu estou com meu próximo aparelho meu aparelho antigo está sendo destruído, intoxicando famílias em Guiyu, na Índia ou Nigéria.
A cada ano, nós produzimos 25 milhões de toneladas de lixo eletrônico que são aterrados, queimados ou reciclados.
E aquele tipo de reciclagem pode ser qualquer coisa, exceto sustentável.
Então, os gênio que projetam estes eletrônicos atualmente são... gênios do mal? Eu não acho,
Porque os problemas que eles criam estão muito bem escondidos, até mesmo deles.
Veja, as empresas para quais eles trabalham, procuram manter estes custos ambientais e humanos fora de vista e longe da sua contabilidade. Elas só se importam com a externalização dos custos reais de produção.
Ao invés das empresas pagarem para tornar suas instalações seguras, os trabalhadores pagam com a sua saúde. Ao invés de pagarem para um reprojetarem utilizando menos tóxicos, moradores pagam perdendo sua água limpa potável.
A externalização de custos permite que as empresas continuem projetando para o lixo. Eles ficam com os lucros e todo o resto do mundo paga.
Quando cooperamos com isso, é como se estivéssemos observando toda esta poluição, bagunça e disséssemos para as fábricas: “Vocês fazem, mas a gente pode lidar com isso”.
Tenho uma ideia melhor. Que tal: “vocês fazem, vocês vão ter que lidar com isso”?
Não faz mais sentido?
Imagine que ao invés de toda essa pilha de e-lixo estar nas nossas garagens e nas ruas de Guiyu,
Nós a mandássemos para as garagens dos diretores de fábrica que a fizeram.
Pode apostar que eles iriam bem ligeiro ao telefone falando para os seus projetistas para pararem de projetar para o lixo.
Fazer as empresas lidar com o lixo que eles geram é chamado: Responsabilidade Social dos Produtores (em inglês EPR) ou Devolução do Produto.
Se todos estes aparelhos velhos fossem problema deles, seria muito mais barato para eles apenas projetá-los para durar mais, ter menos poluentes, e serem mais fáceis de reciclar, principalmente.
Eles poderiam também torná-los modulares, para que quando uma peça quebrasse,
Poderiam apenas nos mandar uma peça nova, ao invés de terem que ficar com toda a joça quebrada.
Muitas leis de Devolução do Produto estão surgindo pela Europa e Ásia.
Nos EUA, muitas cidades e Estados estão pensando em leis parecidas. Estas leis precisam ser protegidas e fortalecidas.
É hora de fazer estes projetistas trabalharem do nosso lado.
Com as leis de Devolução e ações sociais para aumentar a demanda de produtos ecológicos,
Podemos começar uma corrida, onde os projetistas iriam competir para fazer os produtos durarem mais
E terem menos poluentes.
Então, vamos ver como seria a Lei Ecológica de Moore
Que “O uso de químicos tóxicos será cortado pela metade a cada 18 meses?”
“O número de trabalhadores intoxicados irá decair numa taxa ainda maior?”
Nós precisamos dar a esses projetistas um desafio que eles possam alcançar e fazer o que eles fazem de melhor: Inovar!

Agora mesmo, muitos deles tem consciência de que são espertos demais para serem projetistas do lixo.
E estão descobrindo novas formas de fazer computadores sem utilizar PVC ou retardadores de chama tóxicos.
Bom trabalho! Mas nós podemos fazer ainda mais. Quando levamos nosso e-lixo para recicladores,
Podemos ter certeza de que eles não o exportam para países em desenvolvimento.
E quando nós precisamos comprar novos aparelhos, podemos escolher produtos mais ecológicos.
Mas a verdade é: nós nunca vamos ir às compras e não nos deparar com este problema.
Porque as alternativas que as lojas nos dão estão limitadas pelas escolhas dos projetistas
E os mentores da política que governa fora da loja. Por essa razão temos que nos juntar com outros para contribuir.

No fortalecimento das leis sobre químicos poluentes e leis que não permitam a exportação de lixo eletrônico.
Tem bilhões de pessoas lá fora que querem acesso ao incrível mundo da informação e do entretenimento que os eletrônicos nos oferecem.
Mas é o acesso que eles querem. Não toda aquela poluição embutida. Então vamos fazer nossos cérebros trabalharem em enviar todo aquele produto antigo e sua mentalidade suja para o lixo ao qual eles pertecem.
E ao invés deles, vamos construir uma indústria de eletrônicos e uma sociedade projetadas para durar por muito tempo!
Fonte:
The Story of Electronics
Brasil recebe restos high-tech dos EUA - Folha
[Via BBA]

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